Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

Devido a sua natureza social, o ser humano durante toda a sua história dependeu dos seus relacionamentos para viver em comunidade e, assim, transformar o mundo. Essa transformação se dá visto que o homem é um animal social, como já dizia Aristóteles, e sua sociabilidade é compreendida, sobretudo, por meio da fala, a qual detém um caráter individual e é por conta dessa característica que diversos sujeitos são vítimas do preconceito linguístico, pelo fato de que muitos intolerantes não têm ciência da dimensão da língua e de seu vasto conjunto de hábitos e variações.

Em primeiro lugar, pode-se afirmar que a linguagem e a sociedade são indissociáveis e possuem uma ligação feita mediante as relações entre língua e fala. A fala está incorporada na língua e, por conta disso, muitas variações linguísticas são compreendidas, pois possuem o mesmo sistema linguístico em sua formação. Um exemplo é o fato de serem detectadas as diferenças entre o português que se fala em São Paulo e aquele que se fala no Rio de Janeiro: ambos utilizam a mesma língua, mas possuem diferenças entre si que fogem do padrão, mas não fogem da compreensão dos ouvintes.       Diante essa exposição, um fator que se torna preocupante é o preconceito frente as manifestações linguísticas que fogem da norma-padrão. Essas diferenças consideradas “erradas” têm explicações linguísticas, históricas e sociológicas. Muitas delas são frutos do analfabetismo e das desigualdades sociais que as populações sofrem desde a invasão ao Brasil de 1500. Esse paradigma do “falar errado” e a desvalorização frente as variações é retratado na obra do sociolinguista brasileiro Marcos Bagno, a qual conta a história de três universitárias que vão passar as férias na chácara de uma tia, lá conhecem uma empregada doméstica que fala uma das variações linguísticas do português, sendo motivo de chacota para as meninas que, por possuírem mais instruções que a senhora, se acham superiores.

Em vista aos fatos mencionados, há uma grande complexidade que permeia a língua portuguesa e suas formas de comunicação. Sendo assim, cabe ao Governo Federal e suas entidades governamentais fiscalizarem assiduamente e banirem programas de televisão, de rádio, colunas de jornais e revistas que alimentam esse preconceito e que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”, sem se importarem com todas as questões inerentes a essa temática. Além do Ministério da Educação incluir nas Bases Nacionais Curriculares a disciplina de Sociolinguística desde o ensino fundamental, a fim de ampliarem a visão dos alunos sobre a dimensão do vasto conjunto de hábitos e variações linguísticas existentes. Assim, a igualdade, independentemente de suas variações, será respeitada, posto que é um direito respaldado pela Carta Magna.