Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

No desenho A Turma da Mônica, são abordados diferentes tipos de fala, as quais se expressam nos personagens Cebolinha e Chico Bento. Nesse sentido, Cebolinha caracteriza-se pela prática de um fenômeno linguístico conhecido como rotacismo, a troca da letra “l” por “r”, enquanto Chico Bento apresenta a fala caipira. No entanto, essas diferenças em relação aos demais não atrapalha os personagens, já que todos convivem em harmonia e são aceitos da maneira como são. Todavia, a realidade configura-se de modo distinto, uma vez que o preconceito linguístico faz-se presente na sociedade. Assim, fazendo com que pessoas sejam satirizadas e humilhadas devido seu modo de se expressar.

A priori, conforme ratifica o Artigo 5° da Constituição Federal, todos as pessoas são iguais perante à lei, sendo garantia dessas o direito à liberdade e à igualdade. Desse modo, torna-se dever do outro o respeito a fala alheia, já que os sujeitos possuem autonomia para se expressarem da maneira como desejam. Ademais, a escrita e fala correta, segundo a norma gramatical, é apenas um privilégio do qual nem todos os indivíduos usufruem, assim, sendo um dos contribuintes para as variações linguísticas existentes.

Por conseguinte, de acordo com a plataforma online G1, no ano de 2016 o médico Guilherme Capal publicou uma imagem em uma rede social, na qual dizia não existir “peleumonia” e nem “raôxis”. Dessa maneira, a publicação do médico foi motivada pela fala de um paciente que esse havia atendido anteriormente, o qual, segundo um familiar, por questões financeiras não pôde concluir seus estudos e por isso não sabia falar “corretamente” . Sendo assim, Guilherme agiu de forma preconceituoso ao expor e zombar a fala de outra pessoa, causando um constrangimento desnecessário por parte da vítima.

Em virtude dos fatos mencionados a respeito do preconceito linguístico fazem-se necessárias medidas para que essa questão seja resolvida. Posto isso, é preciso que a mídia televisiva insira em papéis de destaque pessoas de diferentes regiões e distintos dialetos. Dessarte, inserindo desde  personagens de novelas até apresentadores de programas, indivíduos que apresentem falas distintas dos demais. Além disso, é essencial que esse mesmo órgão vincule propagandas que dialoguem sobre esse tema. Assim sendo, esses atos contribuirão com a normalização da diferença e, então, com o futuro fim dessa problemática.