Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

A linguagem é um dos fatores mais importantes em uma sociedade, pois é ela quem permite a comunicação e uma maior interação entre os povos. Assim, na Pré-História, os indivíduos já utilizavam desse instrumento a fim de transmitirem informações e estabeleceram vínculos, por meio de gritos e grunhidos. Contudo, no corpo social atual brasileiro, é observado um preconceito linguístico, associado a fatores econômicos e regionais, que julga sotaques e a comunicação diferente da norma culta. Com isso, discursos infames são formados e as relações na sociedade tornam-se fragilizadas perante a discriminação e a intolerância.

A princípio, é importante ressaltar que o Brasil é um país repleto de variabilidade cultural, e consequentemente, linguística. Entretanto, mesmo com essa diversidade são evidenciadas situações preconceituosas, constadas por uma pesquisa do IFRJ em que 53% dos entrevistados afirmaram perceber, indiretamente, atitudes de intolerância pela linguagem. Dessa forma, muitos estereótipos são criados em relação a determinados grupos, como por exemplo a imagem criada do nordestino em várias novelas e filmes, retratada como alguém atrasado, satírico e até com falta de higiene, como foi constatado na narrativa apresentada pela Rede Globo “Velho Chico”, em que os personagens de origem nordestina eram empregados sempre sujos, suados e com a pronúncia exagerada. Assim, esse fato contribui com a fragilização das relações entre os povos uma vez que há um prejulgamento.

Outrossim, o linguista Marcos Bagno afirma em sua obra “Preconceito Linguístico” que não existe forma certa ou errada dos usos da língua, e que essa prenoção deriva da construção de um padrão imposto por uma elite intelectual, que muitas vezes vem acompanhado de uma  intolerância socioeconômica, cultural e regional. Ainda, esses intelectuais que defendem uma fala impecável assemelham-se aos sofistas da Grécia Antiga, que, para Aristóteles, eram indivíduos mais preocupados com a retórica  do que com a razão e a mensagem a ser passada, e por isso levavam as pessoas ao erro. Logo, a fala de um povo é de suma importância, posto que compõe a cultura de uma população e facilita a comunicação, como dizem os versos de Manuel Bandeira “a vida não me chegava pelos jornais, nem pelos livros, vinha da boca do povo”.

Depreende-se portanto que é necessária uma mudança nesse cenário. Para tanto, o Ministério da Educação em parceria com a mídia deve, por meio de propagandas televisivas e palestras nas escolas, que é uma grande referência social na vida das pessoas, informar os indivíduos da sociedade sobre a importância da valorização linguística e os problemas decorrentes do preconceito com a linguagem, a fim de eliminar os estereótipos e a intolerância e assim fortalecer as relações fragilizadas.