Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
A linguagem é mais do que uma forma de se expressar, ela representa a região em que se vive e o grupo a que pertence . Por outro lado, ela causa discriminação e preconceito, assim, inúmeras pessoas sofrem por falar diferente do esperado por certos grupos na sociedade. Os grupos que mais são afetados são os menos favorecidos na sociedade, devido à baixa escolaridade que tiveram. Infelizmente, comportamentos assim se alastram globalmente. Dessa maneira, o preconceito linguístico é sem fundamento, porque há muitas variantes na língua, e uma não deveria ser mais prestigiada que outra.
Visto isso, há inúmeros dialetos, pois cada pessoa tem seu jeito de falar, sua identidade linguística. Destarte, um dos grupos que mais sofrem preconceito é o que foge à norma padrão, por exemplo, usando “pobrema” e “nóis”. Como concursos públicos, entrevistas de emprego e outras provas cobram o uso da norma culta da língua, muitos indivíduos têm a ideia equivocada de que falar diferente é errado, dando início ao preconceito. Todos possuem o direito à fala, portanto, ninguém deve humilhar o outro ou causar algum tipo de constrangimento a alguém pela maneira que o outro se expressa, pois as pessoas formam um mosaico colorido, cheio de diferenças que devem ser aceitas.
Sem dúvida, a língua é fator de segregação social e, como o escritor Ariano Suassuna já disse, o maior preconceito que a literatura admite é quando os escritores usam o português deturpado para representar o português popular. Isso é um erro, visto que ninguém fala de acordo com a grafia. Além disso, a língua é um organismo vivo, ou seja, está em constante mudança, há inúmeros variantes dela, por isso que existe um padrão. Assim, de maneira alguma uma pessoa deveria desrespeitar ou segregar alguém pelo modo como a pessoa fala, comportamentos assim são fruto da ignorância, que podem resultar em problemas de sociabilidade e psicológicos na vítima.
Em virtude dos fatos supracitados, torna-se necessária uma maior abordagem desses assuntos quase não discutidos, que são onipresentes. Faz-se necessário que a escola cumpra seu papel, apresentando a diversidade linguística, por meio de aulas inclusivas, de modo que os alunos conheçam a diversidade que há em seu país e entendam que não há motivo para ter preconceito por causa das diferenças linguísticas, mas a escola também tem a obrigação de ensinar a norma padrão, para usar quando for relevante. A solução desse problema é lenta, mas como afirmou o historiador estadunidense, Henry D. Thoreau, “nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos”.