Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
No ano de 2013, a plataforma Netflix lançou um filme brasileiro que se passa no estado do Ceará, entretanto, um fato curioso veio a chamar a atenção, o filme com idioma em português, possui legendas incorporadas à narrativa. Quando questionado, o autor afirmou que tal feito foi preciso para que assim, todos os indivíduos do país possam assistir ao filme de forma tranquila. Embora seja uma obra ficcional, a atitude expressada gera um grande descaso com os diversos tipos linguísticos existentes no Brasil, pois, de certa forma, afirma que mesmo sendo de um mesmo país, não se é possível entender os dialetos de regiões distintas, o que analisando, exterioriza um grave preconceito com a língua falada.
Em princípio, cabe esclarecer que a língua portuguesa, de acordo com os historiadores, foi herdada dos colonizadores portugueses que vieram para o Brasil no século XVI, porém, devido às diversas etnias existentes, o idioma passou por várias transformações até chegar ao que cotidianamente se fala hoje. Nesse contexto, pode-se dizer que há no território brasileiro uma grande variação de sotaques, que se tornam mais visíveis se comparados, por exemplo, com o falar do norte e do sul. Diante disso, evidencia-se que o preconceito linguístico ainda prevalece no âmbito social, sendo um exemplo muito claro a se citar, o do personagem literário Cebolinha, dos HQs da Turma da Mônica, que por trocar o “r” por “l” em sua fala, muitas vezes acaba sendo um motivo de zombaria até mesmo entre as próprias crianças.
Ademais, é cabível pensar a respeito de que, com relação a diversidade da língua brasileira, muitas vezes as escolas tentam impor uma maneira correta de se falar, esta de acordo com a modalidade escrita. O que, indubitavelmente não é correto, pois, não há uma única forma adequada de falar, como dito anteriormente, existem diferentes tipos de sotaques, cada um respeitando a sua cultura e as suas delimitações, ou seja, é errado dizer que o certo é falar assim porque se escreve assim. Dessa maneira, em relação aos problemas gerados pelo preconceito linguístico a muitos membros da população, se faz necessária uma intervenção para findar rapidamente com tal infortúnio.
Assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação, em parceria com a mídia, na educação da população - especialmente das crianças - acerca dos problemas que acabam sendo gerados com a prática do preconceito linguístico. Isso deve ocorrer por meio de palestras, que, ao serem ministradas em escolas e em locais de circulação pública, como teatros por exemplo, orientem os brasileiros no sentido de não fazer jus à língua de regiões distintas à sua. Além disso, cabe aos escritores discutir em suas obras com mais afinco o tema retratado, incentivando para que haja a aceitação da língua de cada região. Dessa forma, será possível combater as formas de preconceito linguístico existentes no Brasil.