Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

O preconceito linguístico está presente na sociedade desde as primeiras civilizações, exemplo foi os gregos, os quais chamavam de forma pejorativa qualquer pessoa não falante do dialeto grego. De maneira análoga a isso, tal preconceito mostra-se ainda presente na contemporaneidade, transformando-o em problemática, cujo enfrentamento requer análise dos seguintes pressupostos: traumas psicológicos e a desvalorização da pluralidade linguística. Nesse panorama, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

É preciso considerar, primeiramente, que o preconceito linguístico propicia traumas psicológicos as vítimas. Esse contexto, torna-se evidente nas escolas, casa, novelas e até mesmo em histórias infantis, o qual, apresenta sempre o personagem que “fala errado” com intuito de satirizar moradores do campo ou pessoas pouca instrução acadêmica. Pesquisa realizada por acadêmicos de psicologia da UFGD em 2016, o qual apontou que 89% dos entrevistados já se sentiram constrangidos, vítimas de preconceito linguístico os quais 2/9 passaram por algum tipo de acompanhamento psicológico para superar o trauma. Por fim, seria negligente não notar o quanto a problemática esta presente no dia a dia e os percalços ligados ao referido contexto, os quais, enquanto se mantiverem, implicarão significativos prejuízos a sociedade como um todo.

Somando a isso, a desvalorização da pluralidade linguística favorece ao exercício do preconceito. Segundo o pensador Thomas Hobles, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de políticas de valorização identitária, propiciando assim a desvalorização da pluralidade linguística brasileira. Ofusca-se deste modo, toda grandiosidade histórica da Torre de Babel de formação de uma nação e a miscigenação linguística, o qual deveria ser sinônimo de orgulho, admiração e respeito por todo cidadão, torna-se em preconceito colocando em xeque a capacidade humana de conviver e respeitar o diferente.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham conter o preconceito linguístico. Logo, o MEC deve cobrar da rede pública de ensino a inclusão de disciplinas socioculturais obrigatórias, que visem a valorização da pluralidade linguística, a fim de que as diferentes culturas presentes na nação sejam respeitadas e tragam o sentimento de orgulho aos estudantes. Ademais, cabe ao setor midiático desempenhar seu papel social, por meio de telenovelas e comerciais, a exposição dos problemas psicológicos acarretados pelo preconceito linguístico. Somente assim, pode se esperar a mudanças no comportamento social que vem perpetuando desde a antiguidade clássica.