Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

A cultura é definida como o conjunto de hábitos e modos de viver de um indivíduo acumulados por gerações. Ela abriga as escolhas de vestimentas, músicas, comidas, hábitos linguísticos, entre outros. Por mais que cada cultura seja única, pode-se notar um movimento contrário à ideia diversa que esse fenômeno apresenta, de forma que até mesmo a língua é censurada. Embora manifestações hostis contra a língua aconteçam de forma individual, o chamado etnocentrismo torna-se um fato social à medida que os ataques se proliferam em determinada coletividade.

O preconceito linguístico surge a partir do entendimento de que a língua possui uma hierarquia. Assim, qualquer expressão, sotaque ou forma de escrever diferente daquela considerada superior, estaria inadequada. Entretanto, esse pensamento desconsidera a bagagem de conhecimento contida em estruturas linguísticas locais, pois cada escolha de palavra carrega consigo um porquê histórico. Dessa forma, também é ignorada a variação linguística em relação ao lugar de fala, onde a comunicação se altera de acordo com o ambiente. O indivíduo que se arma desse preconceito comumente julga a existência única de uma norma padrão, mas recusa ver uma realidade plural, na qual não existem patamares; ao apagar a variedade que uma língua possui, o indivíduo também apagará a história da mesma.

A ideia de uma língua correta configura um tipo de etnocentrismo, em que coloca-se os costumes próprios acima de outros. Isso configura um fato social, como definido pelo sociólogo Émile Durkheim, no qual há um molde coletivo que abrange a sociedade e determina a ação do indivíduo. Esse molde, enraizado, torna-se visível em meios de comunicação, novelas e filmes, onde linguagens regionais são estereotipadas ao ponto de serem consideradas inferiores. Em contrapartida, a linguagem utilizada em telejornais, entrevistas e reportagens são agraciadas, por exalarem um teor acadêmico e de superioridade. Isso reafirma a configuração de fato social, visto que age de modo coercitivo às formas de expressão distintas.

Portanto, nota-se que o preconceito linguístico é institucionalizado, corroborando com a discriminação de leques diferentes que um idioma pode prover. Isso se reafirma na mídia, onde o preconceito é nítido e dá suporte para a ação individual contra a variação da língua. Para a diminuição de tal fato social, há a necessidade de validar essa diversidade em ambiente escolar, juntamente a apresentação de culturas diversas na esfera midiática. Assim, todos entrarão em contato com diferentes culturas linguísticas desde a infância, legitimando e não apagando a memória a linguagem contém.