Preconceito Linguístico
Enviada em 14/09/2020
Preconceito linguístico é uma forma de discriminação social que consiste em julgar o indivíduo pela forma como ele se comunica, seja de modo escrito ou oral. O parâmetro para tal ação é a chamada norma culta, em que quanto mais distante dela, mais discriminado é o falante. No Brasil, o preconceito linguístico está majoritariamente presente em classes desfavorecidas socioeconomicamente, bem como aos diletos e sotaques de regiões mais pobres. Assim, nos dias atuais, tais atos discriminatórios são propagados principalmente pelas instituições educacionais e elites econômicas e intelectuais, o que promove e acentua a exclusão social no país e que, portanto, deve ser combatido.
Comumente, grupos minoritário da sociedade sofrem diversos tipos de ações discriminatórias, seja pela orientação sexual, cor de pele, religião, nacionalidade ou até mesmo pelo seu modo de falar. Assim, ao serem julgadas, humilhadas e apontadas como uma maneira “errada” de se comunicar, as vítimas sofrem desde sentimentos de inferioridade, ou problemas físicos e psicológicos a danos sérios no estabelecimento de suas relações pessoais. Além disso, indivíduos pertencentes às classes com precárias oportunidades escolares acabam dominando apenas variedades linguísticas mais informais, o que gera a eliminação e exclusão de seleções profissionais e promove ciclos segregacionistas.
Deste modo, segundo o estudioso e linguista Marcos Bagno, o preconceito linguístico no Brasil baseia-se no ideal de língua expresso pelas instituições educacionais que, por sua vez, promovem a valorização às regras cultas e normativas da língua portuguesa, de modo a não preparar o aluno para a aceitação e proteção de variações linguísticas regionais no país. Além disso, a manutenção de preconceitos linguísticos é de interesse, sobretudo, das elites brasileiras econômicas e intelectuais que seguem utilizando a língua como forma de dominação, alimentando a estratificação social. Nesse contexto, as vítimas que tiveram pouco acesso à escola, por exemplo, têm menores oportunidades profissionais e de uma possível ascensão socioeconômica.
Com isso, pode-se concluir que a promoção da visão esteriotipada entre variações linguísticas devem ser combatidas e eliminadas. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação promover projetos socioculturais obrigatórios a todos os educadores, de modo a prepará-los para a propagação da aceitação e valorização cultural entre as distintas formas de comunicação regionais aos indivíduos durante todo o período escolar. Por fim, cabe ao Governo Federal estabelecer incentivos a projetos de divulgação nos principais meios de comunicação, de maneira a sensibilizar e conscientizar a população acerca da importância da tolerância dos distintos sotaques, gírias e dialetos entre a população brasileira, o que promoverá o fim de tais atos segregacionistas.