Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Durante o processo de colonização brasileira a língua portuguesa sofreu influência de diversos idiomas, dentre eles: o espanhol, o holandês, dialetos nativos do Brasil, entre outros. Sob esse viés, devido à mistura de culturas, a linguagem da antiga colônia de Portugal não tornou-se um bloco homogêneo e estável. Dessa maneira, o linguajar brasileiro modifica-se constantemente. No entanto, a discriminação quanto à variação linguística e a ausência de uma educação que englobe a variabilidade do português, são problemas que contribuem para o preconceito linguístico.

Em primeira análise, infere-se que o idioma usado na contemporaneidade não é idêntico ao da modernidade. Sob essa ótica, a língua modifica-se ao longo dos séculos, algumas palavras deixam de ser usadas e outras reformulam-se, como é o caso de “barbeiro”, nas primeiras décadas do século XX tal expressão indicava pessoas que também praticavam odontologia e medicina. Entretanto, na atualidade essas práticas são exercidas pelos dentistas e médicos, respectivamente. Nesse ínterim, apesar da modificação constante em vários aspectos da sociedade, os cidadãos pós-modernos ainda permanecem imersos no paradigma do falar correto. Sob essa perspectiva, é notório que o português apresenta múltiplas variedades, ainda assim, pessoas que utilizam dialetos que fogem da tradicional norma culta são amplamente menosprezados, tratados como inferiores ou ainda como pessoas de pouco conhecimento. Desse modo, a alienação quanto a pluralidade dos jargões persiste no Brasil.

Em segundo lugar, ressalta-se que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existem cerca de 180 línguas faladas no território nacional. Em vista disso, apesar do contingente do idioma, a escola não apresenta ao aluno a diversidade linguística. Nesse contexto, as ciências da natureza são abrangentes quanto à evolução dos seus conceitos e teorias, explicitando as velhas concepções e as aceitas atualmente; injustamente, o português ensina a norma culta de 300 anos atrás com mínimas alterações, sem levar em consideração a modificação do sodalício. Em suma, é papel da escola desenvolver conhecimentos, capacidades e qualidades para o exercício autônomo, consciente e crítico da cidadania. Para isso ela deve articular o saber do ambiente de trabalho e o conhecer do mundo das relações sociais, ou seja, deve incorporar todos os aspectos do falar.

Portanto, o Estado deve ofertar de uma educação que minimize a discriminação e dispor de um sistema educacional que abranja todas as variantes presentes ao longo da nação brasileira. Assim sendo, por meio de materiais didáticos e aulas voltadas para a exposição das diferentes variações linguísticas e para a desestimulação do preconceito quanto as diferenças dos linguajares portugueses. Afinal, segundo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.