Preconceito Linguístico
Enviada em 14/09/2020
A língua e as suas variações pertencem ao patrimônio cultural de nação, pois conta a história e as peculiaridades de um povo. Contudo, apesar de sua grande importância, muitas pessoas têm o direito de se expressar barrado por preconceitos de ordem regional e classista. Dessa forma, a limitação criada pela norma culta e suas consequências para àqueles cuja a forma de falar destoa do padrão são pontos relevantes para a análise da problemática.
Em primeiro plano, é válido analisar que a gramática brasileira é uma das mais difíceis do mundo e sua compreensão é um privilégio que atinge poucos cidadãos. Com isso, a língua muitas vezes é usada como um artigo segregacionista que eleva os escolarizados e constrange quem não teve a oportunidade de estudar. Logo, a humilhação associada à forma de falar está diretamente relacionada ao conceito de “Violência Simbólica”, criado por Pierre Bourdieu, o qual define a agressão como algo além da violação física, podendo atuar também sobre o psicológico e a moral do indivíduo.
Para além disso, as consequências relacionada com a intolerância linguística são várias e imperam sobre a forma com que o ser se relaciona com o mundo. Diante disso, preconceitos relacionados com o sotaque, gírias ou pequenos desvios da norma culta, quando associados à humilhação ou inferiorização de um determinado grupo, acabam retirando o direito do outro de expressar suas vontades e visões de forma livre e confortável. Nesse sentido, o pressuposto constitucional ligado ao Artigo 5° é violado quando a liberdade de expressão é barrada pelo desrespeito.
Dado o exposto, é mister romper com obstáculos que impedem a livre manifestação do brasileiro. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, por meio da inclusão de disciplinas obrigatórias sobre sociedade e regionalidade, desde a alfabetização, ensinar as crianças que a norma culta não deve ser padrão e que, independentemente de sotaques e desvios gramaticais, o indivíduo deve ser ouvido e respeitado. Tal ação deve ser tomada a fim de que se forme adultos tolerantes e que preconceitos linguísticos não impeçam ninguém mostrar a sua voz.