Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
A gramática não justifica o preconceito
Em um país miscigenado como é o Brasil, de fato, a língua também tem as suas diversidades nas várias regiões do país. No entanto, essa mistura não agregou apenas variações na linguagem, mas originou o chamado preconceito linguístico no país. Consequentemente, essa discriminação, além de excluir essa população que “não fala de forma correta”, também é responsável por gerar as desigualdades sociais no país, e da mesma forma, de elitizar a população.
A norma culta apresenta algumas regras e padrões que são necessários em textos jornalísticos e documentos oficiais, por exemplo. Mas, diariamente, são poucas as pessoas que se preocupam em falar totalmente correto e sem erros gramaticais. Porém, quando há discriminação com indivíduos que têm um tipo de sotaque diferente ou que não receberam um ensino que lhes oferecesse o acesso à “linguagem correta”, não é só o modo como essa pessoa fala que está sendo criticado, como também o seu contexto social, cultural e histórico são desrespeitados. Tal qual, essas pessoas são inferiorizadas diante das outras que julgam falar corretamente.
Não é só socialmente que eles são excluídos, mas também financeiramente são afetados. Bem como, em 2010, o Brasil registrou 14 milhões de analfabetos, e 93% deles ganhavam até dois salários mínimos, segundo IBGE. Por conseguinte, as grandes empresas justificam a gramática para segregarem essa população, oferecendo as melhores posições sociais àqueles que tiveram mais acesso à educação de qualidade no país e também àqueles que têm uma comunicação que aparenta ser “mais correta”. De modo que, esse tipo de exigência vai sempre gerar um abismo no país, uma vez que as melhores condições de educação são privatizadas no Brasil e oferecidas às classes superiores.
É fato que o mercado de trabalho é exigente com a linguagem do brasileiro, e que os melhores cargos são destinados àqueles com maior potencial de comunicação. Mas, essa realidade, precisa agregar mais indivíduos. Pois, como já mencionado, o preconceito linguístico afeta socialmente a população. Assim, urge que o Ministério da Educação, por meio das escolas e em grandes empresas, promova palestras em que seja exposto que há o preconceito linguístico, e que é preciso respeitar essas ricas variações da linguagem. Dessa forma, é esperado que as grandes empresas, e o mercado de trabalho em geral, ofereça mais vagas àqueles que apresentam diversidade no sotaque ou que não dominem tão bem a língua, para que essas pessoas tenham mais expectativas e sejam inseridas na sociedade.