Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

De acordo com os pensamentos do gramático Evanildo Bechara, “o falante do português deve ser um poliglota na própria língua”. A partir dessa linha de raciocínio, é possível traçar um paralelo com uma das problemáticas que mais aflige a população hodierna: o preconceito linguístico. Evidentemente, essa é uma das diversas formas de discriminação que ocorre em todo o país. Logo, é primordial que haja o entendimento das origens do tema abordado para que uma solução seja encontrada, a alcançar o bem-estar dos brasileiros.

A priori, é crucial destacar que o Brasil desenvolveu sua língua com a participação de outras, como o tupi com o guarani dos nativos, português de Portugal e ioruba da Nigéria. Assim, torna-se notória a complexidade da língua escrita e falada pelos brasileiros. No entanto, há variações linguísticas decorrentes das diferenças entre níveis sociais, mais conhecida como variação diastrática. Inclusive, é instrumento de desprezo praticado por indivíduos com condição financeira mais abastada, contra outros menos favorecidos nesse quesito. Ao analisar esse cenário, facilmente conclui-se que o “falar certo” é um mecanismo de exclusão social muito comum e que deve ser combatido.

Por outro lado, existem setores da sociedade preocupados com o rumo da temática supracitada. Exemplo disso é o movimento de Poesia Marginal, que surgiu na década de 1970, momento de censura pelo Regime Militar. Essa fase da literatura brasileira teve com característica a aproximação da escrita com a oralidade, para o fácil entendimento das camadas urbanas da época. Dessa maneira, houve um sentimento de ruptura com a formalidade. Portanto, pode-se afirmar que as obras desse período foram essenciais para amenizar o quadro de preconceito linguístico vigente. Todavia, essa discriminação ainda encontra-se atuante na atualidade, o que exige uma maior ação de órgãos públicos e privados.

À luz do exposto, é necessário que o Ministério da Educação disponibilize verbas paras as escolas responsáveis pelos ensinos fundamental e médio. Esse capital será destinado às aulas, palestras e seminários de Língua Portuguesa, Redação e Literatura, que irão promover reflexões e debates acerca das situações comunicativas que exigem uma postura formal ou que uma mera coloquialidade seja aceita. Com esse arranjo de projetos, crianças e jovens terão acesso aos conteúdos informativos desde os primórdios da infância e serão educados a utilizar as formas adequadas de comunicação. Também serão orientados a não discriminar outras pessoas e manter o respeito por todos os cidadãos e cidadãs, independente de posição que ocupem no estrato social. Paulatinamente, haverá mudanças nesse cenário e a nação caminhará para uma convivência democrática e de progresso.