Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

O debate acerca do preconceito linguístico, assumiu caráter passível de reflexão. Caracterizá-lo, desse modo, implica constatar que Albert Einstein ao afirmar: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”, revela uma das faces mais perversas de uma sociedade que frente a esse enjeitamento, sobretudo o linguístico - perpetue até os dias atuais. Nesse diapasão, a construção de padrões ideológicos elitistas e a ausência de medidas mais eficazes no cenário educacional, dificultam a resolução desse grave problema social.

Em primeira abordagem, cumpre salientar que a construção de padrões ideológicos pela sociedade elitista, está intrinsecamente ligado ao preconceito linguístico e sua origem. Nesse prisma, Marcos Bagno - linguista e filólogo, em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, diz que tal aversão, deriva de padrões impostos pela elite econômica e intelectual, considerando como “erro” tudo que se difere desse modelo. Além disso, essa raíz ideológica que passa por gerações, desrespeitando diversos povos e culturas, faz com que o preconceito persista na sociedade.

Em segunda análise, a ausência de medidas mais eficazes no cenário educacional, colabora para a permanência desse problema. Nesse contexto,muitas pessoas são discriminadas no âmbito regional e socioeconômico. Essas discriminações, manifestam-se por pessoas que residem nas grandes cidades, as quais monopolizam a cultura e economia - como o Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, essa elite social que “rotula” as classes mais pobres, como: “atrasados culturalmente”, “caipiras” ou “analfabetos”; são os mesmos que desconhecem a chamada: “Adequação Linguística” (habilidade de adaptar a linguagem de acordo com a necessidade do momento - tanto de modo formal, quanto informal). Nesse viés, sua principal primícia não relaciona-se em estar “certo” ou “errado”, e sim se a variedade em questão é adequada ou não à situação imposta. Isto posto, torna-se acertada a máxima de Paulo Freire, ao dizer que “Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”.

Em face do exposto, urge que o Ministério da Educação insira nas escolas, desde o primário, aulas com debates sobre o tema: “Adequação Linguística”, onde os alunos possam interagir em si e esclarecer as dúvidas com o professor. Dessa forma, a finalidade é que aprendam as diferenças de cada região do Brasil e priorizem as adequações da língua, com o intuito de normalizar o “diferente” e acabar com a maneira “certa” ou “errada” de falar. Ademais, a mídia com o apoio do Estado, investiria em propagandas educacionais sobre o preconceito linguístico e seus efeitos na sociedade, com o intuito de conscientizar também os adultos. Desse modo, criar-se-á um futuro que será mais fácil desintegrar o preconceito e, um legado de que Einstein pudesse se orgulhar.