Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

Ao analisar o desenvolvimento da língua portuguesa, percebe-se que ela foi iniciou como uma variação do latim. Posteriormente, por meio da colonização da América Portuguesa, a mistura entre línguas nativas, europeias e africanas culminou em uma infinidade de variâncias linguísticas que compõem o patrimônio cultural brasileiro. Isso significa que uma língua oficial surge a partir da união entre as diversidades linguísticas de seus falantes. Entretanto, existem muitas pessoas que costumam discriminar os outros devido aos diferentes sotaques, gírias e vícios de linguagem, fato que, além de ameaçar a diversidade cultural, dificulta a evolução da língua padrão.

Em primeiro lugar, é importantíssimo salientar que o preconceito linguístico é uma ameaça à diversidade cultural. Uma prova disso é que, desde o surgimento da Antropologia, considera-se a diversidade cultural justamente como aquilo que define a vida social nas diferentes regiões do planeta Terra. Desse modo, uma vez que a diversidade linguística faz parte de um patrimônio cultural imaterial, o preconceito linguístico pode ser considerado uma afronta à diversidade cultural e, portanto, deve ser reprimido legalmente.

Ademais, cabe pontuar que a variação linguística é fundamental para a evolução da “língua oficial”. Um exemplo disso foi a inserção, dentro da norma culta, de uma infinidade de termos inéditos no romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Nesse livro, o autor utilizou-se da diversidade linguística, presente no interior do estado de Minas Gerais, como uma fonte de palavras para descrever a vida das personagens. Dessa forma, o preconceito linguístico consiste em um gravíssimo entrave ao aperfeiçoamento da própria norma culta.

Torna-se evidente, portanto, que a questão do preconceito linguístico deve ser combatida de imediato. Dessarte, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por linguistas que discutam a respeito do preconceito linguístico, a fim de mostrar a importância da diversidade linguística na cultura dos povos. Além disso, cabe ao Poder Legislativo a elaboração de leis que penalizem aqueles que propagarem preconceitos linguísticos. Tais leis deverão ser amplamente discutidas tanto na Câmara como no Senado, a fim de que prevaleça a vontade geral da nação. Todas  essas medidas visam combater os preconceitos linguísticos e a consolidação de uma sociedade onde prevaleça a diversidade cultural em detrimento da “ditadura da norma culta”.