Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

No decorrer da formação histórico-cultural do Brasil, houve a fusão de várias culturas em uma só, resultando na diversidade existente no país. Por essa razão, a construção de um padrão imposto pela elite econômica e intelectual culminou no preconceito linguístico. Dessa forma, é importante salientar as causas e as consequências que esse fenômeno ocasiona na sociedade brasileira.

Primeiramente, as causas deste fenômeno estão interligadas a outros tipos de preconceitos. De acordo com o professor e linguista Marcos Bagno, o preconceito linguístico é a reprovação e o desrespeito às variedades linguísticas de menor prestígio social. Sendo assim, está relacionado com a oferta de educação de qualidade, em virtude das diferenças socioeconômicas existentes no país, as quais privilegiam a elite em detrimento da outra parte da população. Por isso, é perceptível a relação com outros tipos de preconceitos, sobretudo com o socioeconômico, o regional, o cultural e o racismo. Dessa maneira, as diferenças de sotaque, os ritmos musicais (como sertanejo e rap) e os significados de palavras de origem africana sofrem com a repulsa da elite por causa do padrão imposto.

Além disso, é preciso observar as consequências do preconceito linguístico. Em virtude do padrão imposto pela elite, ocorre a reafirmação de preconceitos enraizados na sociedade. A utilização da língua como forma de dominação proporciona as elites políticas, econômicas e intelectuais a manutenção da estratificação social. Por esse motivo, é preciso de que haja a difusão da ideia de adequação linguística, isto é, entender a variedade como adequada ou não a situação comunicativa que se manifesta. Assim, o Ministério da Educação no intuito de quebrar com essa dominação está difundindo nos livros a adequação linguística com objetivo de reforçar o respeito as variedades linguísticas existentes no país.

Portanto, o preconceito linguístico reafirma as diferenças socioeconômicas e culturais, contribuindo com a divisão de classes no Brasil. Em primeiro lugar, a escola deve propagar o respeito as diferenças culturais do país e a pluralidade das variantes linguísticas existentes utilizando recursos tecnológicos que permitam o conhecimento da diversidade cultural. Outrossim, deve difundir a ideia de adequação linguística em parceria com a família e as mídias por meio das redes sociais e canais de televisão. Dessa forma, essas ações em conjunto acarretariam a diminuição do preconceito linguístico e da dominação socioeconômica a partir da língua.