Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

O livro Preconceito Linguístico do autor Marcos Bagno faz a seguinte analogia: assim como a receita de um bolo não é um bolo material, a gramática da língua portuguesa não representa a linguagem na prática dos brasileiros. Sob essa ótica, é valido salientar que a variabilidade da fala no Brasil não segue o tradicionalismo dos livros de português devido a diversidade regional e também, por causa da desigualdade social. Assim, por consequência, o preconceito da linguagem surge tanto pelo sentimento de superioridade de um estado em relação a outro, como da falta de conhecimento da língua por questões econômicas.

Em primeiro plano, sabe-se que o amplo território brasileiro permitiu que a fala fosse diversificada de acordo com a região de moradia dos cidadãos. Desse modo, o sotaque nordestino foi estigmatizado na década de 90, a qual pessoas oriundas do nordeste e norte do Brasil buscavam emprego nos grandes centros urbanos do Sul, tal fato aliado a personagens caricatos representados na mídia, tornou as características da linguagem dos nordestinos motivo de piado e preconceito. Dessa maneira, a heterogenia da língua fez com que os alguns sudestinos se achassem superior por pertencer a uma região mais rica no âmbito socioeconômico.

Em paralelo, o poema Aula de Português do modernista Carlos Drummond de Andrade ressalta a divergência da língua falada em relação a gramática no ambiente escolar, nessa perspectiva nota-se que o sistema educacional tradicional tende a impor a norma padrão do português. Porém, por questões econômicas existem comunidades periféricas que possuem acesso limitado ao estudo. Dessa forma, a ausência de conhecimento da língua tradicional segrega os ricos dos pobres, ou seja, existe preconceito pelo modo que as pessoas humildes financeiramente se pronunciam como, por exemplo, com o uso de gírias em contrapartida a pouca utilização das ferramentas da linguagem formal ensinada nas instituições de ensino.

Portanto, assim como a filosofia de troca cultural do educador Paulo Freire, é indubitável a necessidade de unir as divergências da língua brasileira a fim de haver respeito e acabar com o preconceito linguístico. Por isso, cabe ao Ministério da Educação implementar aulas obrigatórias nas escolas sobre a variabilidade da língua no Brasil. Assim, esses ensinamentos devem ser compartilhados por profissionais formados em letras e devem conter uma postura reflexiva sobre o uso da gramatica tradicional, a qual é necessária para se adequar ao contexto formal. Consequentemente, a linguagem informal, seja ela com sotaques regionais ou gírias da periferia, são formas de comunicação válidas que se inserem ao meio em que aqueles indivíduos vivem.