Preconceito Linguístico
Enviada em 14/09/2020
“Ei, Nortista agarra essa causa que trouxeste. Nordestino agarra a cultura que te veste”, as próprias palavras da canção “Reza Vela” do O Rappa e Rapadura revelam uma semântica de ausência de representatividade identitária. A música dos anos 2000 mostra a importância das raízes que representam um povo, como a língua, independentemente de suas origens. Dessa forma, a mensagem não necessariamente precisa ser clara e objetiva ao receptor, já que o emissor pode representar uma realidade distinta, justificada pela própria colonização do Brasil, que apesar de ter sido predominantemente portuguesa, aproximou a cultura africana, a alemã, a francesa, a holandesa, entre outras. No entanto, o povo brasileiro insiste em banalizar pessoas que não seguem a forma culta de se fazer entender devido a ignorância e a precaridade de iniciativas protetoras do Estado.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a falha educacional do país, que forma pessoas com diferentes tipos de preconceitos, como o linguístico, em que não pode-se ouvir “nós vai”, “ôce”, “tipo assim”, “oxe”. Segundo o pensador marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeros problemas para a sociedade. Ao julgar outro indivíduo pela forma como se expressa, é negar a legitimidade do outro perante à realidade social, para justificar uma compreensão de mundo individual. Desse modo, alterar a forma como é ensinado sobre relações sociais nas escolas deve ser prioridade no território brasileiro, em que a própria dimensão territorial configura diferenças culturais.
Ademais, a ausência do Estado em problemas sociais é notória ao passar dos anos, e registrada pelas formas de cultura, como música e filme, que nos revelam mais de um povo brasileiro que a própria educação do país é capaz de mostrar. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social, porém, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, pessoas ou grupos formados, usam da sua liberdade para ferir a do outro - o qual não tem seu direito conservado, seu nível de educação ou sua raiz cultural valorizada. Dessa maneira, atitudes preventivas ou de penalização se fazem necessárias, já que além do uso de uma norma culta, as diversas línguas brasileiras mostram a pluralidade da nação.
Infere-se, portanto, que assumir uma identidade cultural à personas brasileiras é um grande desafio, e uma causa necessária como expressa a música. Sendo assim, o Governo Federal, deve atuar a favor da população diversificada, através da ampliação de programas culturais tanto em espaços públicos, como em teatros municipais e praças, como também em escolas infantis, a fim de que a população mais velha modifique suas crenças limitantes sobre a fala e para que crianças cresçam sabendo respeitar as diferenças linguísticas. Afinal, todos merecem se fazer entender à sua maneira.