Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Em 1955, João Cabral de Melo - autor do modernismo - escreveu a obra " Morte e vida severina " e objetivou valorizar a heterogeneidade da língua brasileira. Entretanto , mesmo depois de décadas, substancial parcela dos brasileiros se mostra incapaz de aceitar a diversidade retratada por João Cabral, o que torna o preconceito linguístico um paradoxo na sociedade verde-amarela. Com efeito, para desfazer essa contradição, há de se desconstruir a imposição da norma gramatica, bem como mitigar a falta de dignidade humana de alguns grupos.
Em primeiro plano, a exigência da sociedade de falar à norma culta dá lugar preconceito linguístico. A esse respeito, em 1999, o cientista Marcos Bagno dissertou em seu livro " Preconceito linguístico “, que a educação linguística deve valorizar a inclusão social e precisa cumprir seu papel sociocomunicativo, ou seja, entender a comunicação. Ocorre que uma parcela dos brasileiros utilizam a linguagem como instrumento de prestígio social e opressão, o que vai de encontro ao que Marcos Bagno disse, o que torna um grave problema social. Dessa forma, o preconceito linguístico inviabiliza a construção de uma sociedade solidária e coloca em risco o desenvolvimento nacional.
De outra parte, o preconceito linguístico fragiliza a dignidade humana dos grupos afetados. Nesse contexto, em 1948, a Organização das Nações Unidas estabeleceu na Declaração dos Direitos Humanos, que um dos principais direitos dos indivíduos é a sua identidade linguística - conhecido como Patrimônio Imaterial - e seria fundamental à dignidade humana. No entanto, os frequentes discursos de ódio acerca das variantes linguísticas consideradas de baixo prestígio está distante dos direitos da carta escrita pela ONU, o que significa que a nação brasileira ainda vive um grave retrocesso. Assim, enquanto os discursos de ódio se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos maiores problemas para a nação: a exclusão linguística.
P preconceito linguístico é, portanto, uma contradição que deve ser, urgentemente, combatida. Nesse sentido, as escolas - no exercício do seu papel social - devem desconstruir o conceito do certo e do errado, por meio de projetos pedagógicos, como palestras e aulas, capazes de mostrar que as variações linguísticas são importantes, a fim de desconstruir o paradoxo de uma nação que é multicultural. Assim, a língua brasileira em todas as regiões será valorizada como dissertou João Cabral de Melo.