Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

O Brasil é um país culturalmente diverso e isso se manifesta na linguagem, através da existência de múltiplas variedades linguísticas. No entanto, a norma culta, que é ensinada nas escolas e, geralmente, usada pela camada mais escolarizada da população, tem um maior prestígio social e é considerada a maneira certa de se comunicar. Dessa forma, surge o preconceito linguístico, que discrimina toda variação linguística que escapa da gramática normativa, afetando grande parte da população brasileira, que não tem acesso a uma educação de qualidade.

Evidentemente, no Brasil, a linguagem varia entre regiões, grupos sociais e situações. Isso revela a enorme diversidade cultural do país. Entretanto, a existência de uma elite intelectual que engrandece e idealiza a norma culta, julgando inferior tudo o que difere dela, é a maior causa do preconceito linguístico. Conforme Marcos Bagno, linguista brasileiro e autor do livro “Preconceito Linguístico”, os meios de comunicação e a escola são grandes responsáveis pela perpetuação dessa discriminação quando valorizam a gramática normativa em detrimento do português falado pela população.

Ademais, Bagno ressalta em seu livro que o preconceito linguístico afeta mais acentuadamente a parcela negra, nordestina, pobre e analfabeta da população. É notório destacar que no Brasil a educação está fortemente ligada à renda, porque a maioria das escolas públicas não oferece um ensino de qualidade. Segundo o IBGE, cerca de 11,3 milhões de brasileiros são analfabetos. Assim, pode-se afirmar que o preconceito linguístico é socioeconômico.

Portanto, é de extrema importância que o preconceito linguístico seja abordado nas escolas. Logo, os professores devem ensinar às crianças que todas as variedades linguísticas devem ser valorizadas e que a norma-padrão não é a única maneira de se comunicar, desconstruindo a ideia de que existe um modo certo e um modo errado de falar. Pois, na comunicação, o que é importante é entender e ser compreendido.