Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

Na primeira fase do Modernismo, no Brasil, houve uma ruptura com a literatura tradicional que não valorizava a variedade linguística, o que gerou inúmeras críticas. Nesse sentido, vê-se que não é hodierno o preconceito linguístico e na contemporaneidade elevou-se ainda mais. Logo, há desrespeito e nivelamento cultural ora pela ideologia de  haver línguas majoritárias, ora pela passividade do Estado.

Em primeiro plano, é válido citar o pensamento do linguista e filólogo Marcos Bagno, de que não existe uma forma “certa” ou “errada” dos usos da língua e tal ideia colabora com a prática de exclusão social. Sob esse prisma, é notório a participação da gramática normativa, norma culta, em ser considerada o ideal a se falar e, por conseguinte, o detrimento do direito dos falantes que se expressam em modos sem prestígio na sociedade. Sendo assim, é indispensável uma solução para valorização da multiplicidade linguística.

Ademais, é imprescindível mencionar a extinção de 90% das línguas indígenas  nos últimos quinhentos anos da Nação, segundo a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), devido a não proteção das tais pelo Governo. Diante disso, com seu desaparecimento se foram diversos conhecimentos acumulados ao longo dos séculos, parte da história e cultura nacional e as demais que sobreviveram estão com risco de extinção. Desse modo, urge ações no que tange à defesa do patrimônio linguístico brasileiro.

É indubitável, portanto, que medidas sejam tomadas para o fim do preconceito linguístico no País. Posto isso, cabe ao MEC, por meio de amplo debate entre população e Secretaria Especial da Cultura, criar um plano nacional de disseminação das variações linguísticas nas escolas - com palestras sobre o respeito as diferenças e igualdade de valores. Além disso, o Ministério da Cidadania deve, por intermédio de PL entregue à Câmara dos Deputados, incentivar a divulgação de culturas minoritárias. Feito isso, haverá tolerância, consideração e preservação da diversidade.