Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
No antigo Império Romano, era considerado bárbaro -não civilizado- aquele que falava uma língua diferente da romana. Paralelamente a isso, o preconceito linguístico, isso é o julgamento negativo às variedades linguísticas, é um problema atual na sociedade brasileira moderna. Por conseguinte, tal cen ário é agravado pela glotofobia e pela elitização da língua pela mídia.
Em primeira análise, a glotofobia -descriminação aplicada ás pessoas cujo vocabulário é diferente da variação formal- atenua o preconceito linguístico. Isso ocorre devido a ideia de que a norma padrão é a única correta, porém, não é levado em consideração que nem todos possuem as mesmas oportunidades de aprendizagem, devido as diferentes vivências. Contudo, mesmo com resquícios de oralidades, inadequações à normas gramaticais e até um menor vocabulário, a função primordial da fala é o entendimento, validando assim, variantes coloquiais. Exemplo disso é o poema “Cabra da peste” de Patativa do Assaré, artista nordestino, que tinha como marca de seu trabalho a oralidade, aonde determinadas palavras eram escritas da maneira com que são faladas, sem preocupação com a formalidade.
Ademais, outro fator que corrobora ao preconceito do linguajar é a elitização da língua pela mídia. Com base nisso, a ideia de que apenas uma variante da linguagem é a correta é intensificada por canais de comunicação, já que os mesmos, em maior parte disponibilizam seus espaços somente para aqueles que dominam e utilizam a norma culta. Análoga a essa ideia, o site “pragmatismo político” expõe a maneira com que a Rede Globo de televisão trata a coloquialidade, sendo considerada uma variante errada, que necessita do auxílio de fonoaudiólogos -profissional que lida com a fala- para a preparação de seus contratados, a fim de garantir a prevalência do estilo padrão.
Diante do exposto, fica notório que a variação da linguística gera preconceitos. A priori, cabe ao Estado por meio do Ministério da Educação o incentivo à pluralidade do idioma. Isso ocorrerá por meio da realização de palestras e aulas que possuam como objetivo a instrução sobre a importância do respeito à diversidade da fala, além de incentivar a implementação de leituras de obras que marquem variedades linguísticas na carga horária escolar. Outrossim, o Ministério da Cultura deve orientar a mídia acerca da importância de dar voz à coloquialidade. Isso ocorre com a disponibilização de espaços por essas mídias à outras variantes. Para que assim, a glotofobia e a elitização da língua pela mídia deixem de ser fatores que contribuem para o preconceito linguístico.