Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

No modernismo brasileiro, o coloquialismo e os regionalismos foram exaltados e discutidos de diversas formas e em várias obras pelos seus pertencentes. No entanto, vê-se que hodiernamente tal reconhecimento foi desconstruído, visto que determinadas formas de escritas e falas, exercem poder sobre as demais, ocasionando o preconceito linguístico no país. Desse modo, vale compreender que além desse tipo de dominação, a erudição social contribui para que tal infortúnio ocorra no Brasil. Sendo, pois, de suma importância a análise e solução dessas problemáticas.

A princípio, é válido destacar que a língua está em constante modificação e estabelecer normas, como forma de padronizá-las, é um ato de repressão à cultura brasileira. Nesse sentido, Michel Foucault reflete em sua obra “Microfísica do poder” que as opressões ocorrem para moldar a sociedade. Nessa perspectiva, ao normatizar a língua portuguesa, é criado uma maneira de dominação dessa sobre as demais variantes. Dessa maneira, o preconceito linguístico surge a partir do sentimento de superioridade dos adeptos à essa norma em relação com as diversidades da língua no país.

Ademais, é indubitável ressaltar que o eruditismo presente na sociedade brasileira, contribui para que haja adversidades entre os falares. Levando isso em conta, Oswald de Andrade ironiza em seu poema “Pronominais” o uso formal e o considerado coloquial, na intenção de criticar os parnasianos que eram considerados “ourives das palavras” devido aos seus rebuscamentos. Perante este exposto, é possível depreender que a arte erudita está presente em todos os momentos da história e, com isso, houve polarização da sociedade entre dois extremos: erudito e o popular. Dessa forma, o conflito entre essas duas vertentes pode causar diversos transtornos na dinâmica linguística brasileira, dado que o preconceito é uma violência de cunho inibidor e quando isso acontece com a língua, tal efeito pode abalar a cultura brasileira.

Portanto, são necessárias medidas que garantam harmonia à população. Logo, o Ministério da Cidadania e o Ministério da Educação, devem juntos, ampliar a grade curricular, por meio das escolas, adicionando a matéria “Língua Portuguesa sem regras”, a qual será trabalhado com os alunos e os pais a necessidade de preservar a diversidade linguística do país sem que haja algum tipo de superioridade entre as variantes, por meio de atividades lúdicas como criação de dicionário regional e coloquial, com a finalidade de cessar as imposições de normas sobre os falares e fazê-los compreender que as variedades são, apenas, diferentes umas das outras. Sendo assim, o corpo social brasileiro valorizará todos os modos falantes do país sem nenhum preconceito ou superioridade.