Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Grover Claveland, ex presidente dos Estados Unidos, disse: “Não é que eles não veem a solução, é que eles não enxergam o problema”. Essa Máxima, contextualiza a questão do preconceito linguístico, instrumento de exclusão social. Diante disso, desmistificar mitos estabelecidos em nossa sociedade é essencial para que politicas inclusivas sejam desenvolvidas.
A Constituição federal afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei, mas essa mesma lei é redigida numa linguagem em que só uma parcela reduzida de brasileiros consegue entender. Como aponta um estudo publicado em “ATLAS DA EXCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL”, 25% dos brasileiros vivem em condições precárias, com baixa renda, exercendo ocupações não regulamentadas por lei e com pouco acesso à educação formal. Esse índice representa aproximadamente 50 milhões de pessoas.
Desse modo, é possível perceber que a ideia de unidade linguística é falaciosa, já que todas essas questões são garantidas pela legislação vigente. à vista disso, torna-se perceptível que o brasileiro médio ou não acessa a informação, ou não a entende. Portanto, o modelo atual de ensino se mostra ineficiente em aproximar o falante da língua portuguesa brasileira; repleta de variantes de natureza regional, social, econômica e até mesmo temporal, do modelo tido como norma culta ou variante padrão, usada em veículos oficiais do governo. Consequentemente, a desigualdade é perpetuada.
Além disso, acredita-se, atualmente, que o domínio da norma culta seja um instrumento de ascensão social. Outra falácia, facilmente percebida pela desvalorização do profissional educador no Brasil, que pelo menos em tese, teria total conhecimento dessa variante. E que, portanto, deveria ocupar o topo da pirâmide social, se essa tese fosse verdadeira, o que não acontece.
Logo, entender que o conservadorismo no modelo atual de ensino perpetua o preconceito linguístico é a primeira medida necessária para promover a igualdade social. Assim, cabe ao Ministério da Educação reformular o programa nacional de ensino, com a finalidade de aproximar o falante de qualquer uma das variantes da língua portuguesa brasileira daquela que é adotada como oficial e, consequentemente, minimizar está exclusão histórica das camadas mais pobres da sociedade. É preciso, também, criar uma programa de renda mínima que minimise a evasão escolar e reduzir a taxação de impostos em relação aos livros, para que esses tornem-se acessíveis aos estudantes.