Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

No livro ‘Vidas Secas’, o autor Graciliano Ramos narra a história do vaqueiro Fabiano que, por conta de seu raso conhecimento linguístico, que ele chama de ‘dom com as palavras’, passa por dificuldades na vida. Fora da ficção, é notório que muitas pessoas também passam por situações similares a de Fabiano devido não só as dificuldades na comunicação como também ao preconceito linguístico. É percebível que o preconceito linguístico é explicado especialmente pela confusão entre língua e gramática normativa e pela estereotipização, feito pela mídia, de determinadas variáveis linguísticas.

Em primeira análise, de acordo com o linguista Marcos Bagno, o preconceito linguístico se baseia na crença de só existe um língua portuguesa digna deste nome - ensinada na escola, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários- qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário, é considerado, sob a ótica do preconceito linguístico, errado, feio e deficiente. Entretanto, a variação linguística - explicada cientificamente por um fenômeno fonético- não deve ser reprimida em nome da gramática normativa, que é apenas uma tentativa imperfeita de descrever a língua.

Ademais, observa-se que as mídias atuais sofreram um retrocesso se comparado com o Modernismo em correntes Regionais, onde diferentes artistas buscavam valorizar a cultura regional e seu modo de falar. Com pode-se analisar no poema ‘Pronominais’ de Oswald de Andrade, onde o modernista crítica o abismo entre a língua falada cotidianamente e a gramática exigida nas escolas. Em contraste com esse movimento, nota-se hodiernamente  uma esteriotipização da linguagem coloquial regional, como é o caso do Chico Bento, caracterizado de forma cômica como mineiro. Em suma, tais esteriótipos contribuem para que o preconceito linguístico continue sendo uma realidade no Brasil.

Contudo, faz-se premente portanto diligências para combater e aniquilar o preconceito linguístico no Brasil. Primeiramente, com o intuito de informar a diferença entre gramática normativa e língua, as editoras de livros escolares devem abordar esse tema em seus escritos, evidenciando que a variação linguística não é um erro e sim um fenômeno natural que não pode ser coibido (o projeto deverá chamar: Brasil, um país onde todos podem falar sem medo). Outrossim, para solucionar o revés da esteriotipização feita pela mídia, o poder executivo deve fazer cumprir a lei 7716 - que proíbe e condena qualquer tipo de preconceito- para que o preconceito linguístico não seja difundido. Assim, após tomadas essa medidas o Brasil será uma país livre da descriminação linguística.