Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
No livro “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, conta-se a história de dois nordestinos, João Grilo e Chicó, que por vários momentos são desmoralizados por não usarem da forma culta Brasileira e possuírem sotaque. Apesar de ficção o preconceito linguístico se faz presente na sociedade brasileira, e vale ressaltar que os praticantes deste preconceito ficam impunes diante a lei.
Indubitavelmente, a variação linguística se dá principalmente pela região, cultura, classe social e nível de escolaridade. Levando em consideração que no nosso país possui mais de 12 dialetos e que segundo o IBGE o Brasil possui 11,8 milhões de analfabetos, a população que usa do português formal no seu dia a dia é minoria. Infelizmente na sociedade em que vivemos a língua é um dos mecanismos de dominação cultural, como ressaltado no livro ‘‘Microfísica do poder’’, do filosofo Michel Foucault, sendo assim, está minoria usa deste artificio para menosprezar a população que utiliza o português coloquial.
Faz-se necessário, ainda, salientar que o preconceito linguístico engloba também um preconceito cultural e social. Segundo o sociólogo Pierre Balburdie no livro “violência simbólica e capital cultural”, todos nós cometemos desvios gramaticais, entretanto só os indivíduos de baixa escolaridade são ridicularizados. Sendo assim pode-se afirmar que tal preconceito pode ser responsável por segregação e exclusão social. Entretanto ainda não é considerado crime pela constituição cidadã.
Portanto medidas devem ser tomadas para combater esse impasse o Mistério da Cultura em conjunto com Ministério da Cidadania deve propor que o preconceito linguístico seja criminalizado através de um projeto de lei, entregue a câmara dos deputados, na qual a lei irá garantir punição aos que praticam aversão a variação linguística. Espera-se que com essa medida o Brasil se torne um país mais ético e justo na qual a sua população respeite as diferenças culturais da linguagem.