Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
Para o pensador francês Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismos de opressão. Nessa perspectiva, no que tange à questão do preconceito linguístico, essa máxima não é efetivada no hodierno cenário brasileiro, posto que a linguagem configura-se como uma forma de integração e adesão popular, no entanto, tem se tornado um meio de exclusão social. Dessa forma, observa-se que esta chaga reflete um cenário desafiador, seja em virtude da questão educacional, seja pelo legado histórico de segregação social.
Em primeiro plano, é evidente ressaltar que a falha no sistema educacional corrobora para uma desigualdade social, e por conseguinte, discriminação linguística. No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Nesse viés, é notório que uma parcela da população detentora do conhecimento, utiliza-se da linguagem como mecanismo de controle e coerção, os quais aumentam a hostilidade sob aqueles que não possuem domínio da norma culta. Nesse contexto, a garantia de uma educação de qualidade a todos é imperioso para que a variação linguística, não insubordinem as pessoas à uma condição de marginalização.
Ademais, é relevante abordar, que a sociedade brasileira fora construída sob um viés elitista e segregacionista, isto é, um legado histórico de secessão .Nesse sentido, observa-se que a segregação social — evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque de Holanda, no livro “Raízes do Brasil” — se faz presente até os dias atuais. Sob essa lógica, depreende-se que entender o preconceito linguístico é fundamental, sobretudo em um país como o Brasil, no qual as diferenças de comunicação são bastante notórias entre os indivíduos, à vista disso, devem ser respeitadas enquanto valor cultural e não empregadas como objeto de discriminação.
Diante do exposto é fulcral que o Estado outorgue medidas exequíveis, com o fito de mitigar tal problemática. Portanto urge que o Ministério da Educação e da Cultura , promova ações para adequar o processo linguístico e levantar reflexões sobre as diferenças presentes no contexto social, elucidando a importância das diversas variantes da forma de comunicação. Destarte, é imperativo que tais ações devam ocorrer nos adventos midiáticos , por intermédio da produção de campanhas e programas que alertem sobre as reais condições da questão. Logo, assim, tal vicissitude reverter-se-á, sobretudo na perspectiva tupiniquim e ser digna, deveras, àquilo que fora apregoado pelo pensador francês Bourdieu.