Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
A língua, no Brasil, apresenta diversas variações devido ao extenso território e as múltiplas origens sociais, geográficas e culturais. Porém, quando opta-se por impor uma língua como a correta e todas as outras são consideradas erradas, acarreta o que se chama preconceito linguístico. Fato impulsionado tanto pela discriminação social quanto pela desigualdade de ensino e renda presentes, principalmente, nas escolas e nos meios de comunicação de massa.
Em primeira análise, cabe mencionar que a intolerância é um fator recorrente na modernidade líquida, termo criado pelo sociólogo polaco Zygmunt Bauman, o qual diz que o individualismo é uma das principais características desse período. Por conseguinte, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças, como na forma de falar ou de escrever. Dessa forma, esse problema assume contornos específicos no país, que apresenta uma heterogeneidade explícita de seus cidadãos. Logo, o que se observa é a discriminação e a exclusão em relação aos falantes que arranjam e rearranjam o vocabulário de acordo com a necessidade de interação social.
Também, é importante discutir que a norma culta institucionalizada nas escolas acaba por ser o parâmetro de julgamento. Sendo assim, os analfabetos, ou seja, aqueles que não sabem ler nem escrever, são os que mais sofrem com esse imbróglio. E, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, o analfabetismo afeta 7,0% da sociedade brasileira (números de 2017), o que corresponde a milhões de pessoas. Além disso, a mídia é outro meio que carece de abordagem sobre o assunto, pois, apesar de apresentar diversos entretenimentos, a maioria não faz questão de demonstrar a pluriculturalidade e acaba por valorizar a gramática normativa em detrimento da língua realmente falada pela população.
Em vista disso, são necessárias medidas para combater esse tipo de preconceito. O Governo Federal, como instância máxima da administração, deve contar com o auxílio do Ministério da Educação e, de forma ampla, tratar sobre a multiplicidade linguística do Brasil, por meio de campanhas e grades curriculares que abranjam o assunto, a fim de criar um processo educacional democrático. Conjuntamente, a mídia pode acabar com o estereótipo das normas padrões e inserir programas que tratem sobre a língua e diminuir as barreiras desse patrimônio cultural imaterial. Enfim, seria possível, cada vez mais, amenizar esse problema.