Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Na mitologia grega, o bandido Procusto era conhecido por ter uma cama do seu exato tamanho, a qual convidava viajantes a se deitar, cortando ou esticando suas vítimas até que ficassem no formato da cama. Consoante a isso, todos os dias milhões de brasileiros sofrem preconceito por sua forma de falar, e são forçados a se encaixarem numa norma criada do que seria Língua Portuguesa. Esse cenário opressor ocorre devido a uma naturalizada dicotomia de ‘’certo’’ e ‘’errado’’ na língua, a qual dá poder a classe detentora do padrão e inferioriza aqueles fora da caixa.
Em primeira análise, existe uma lógica interiorizada nas pessoas que dita, de maneira maniqueísta, o ‘’correto’’ ou não de falar. Segundo a Teoria do Habitus, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, as estruturas sociais impostas diariamente são incorporadas pelos indivíduos na sociedade, que terminam por naturalizá-las. Nessa perspectiva, uma ideia de “certo” na língua é criado de forma artificial, mas é absorvido como o “normal”, o que termina por estabelecer milhares de outras variedades linguísticas como sendo erradas, e, portanto, merecedoras de depreciação. Logo, essa lógica termina por demarcar um único padrão e realidade para todos os milhões de falantes, e cria uma depreciação e estranheza por aqueles que não o seguem.
Ademais, a dita gramática detentora da norma padrão da Língua Portuguesa segue o estilo de fala da classe mais abastada, que a utiliza como forma de estabelecer dominância às demais. Conforme o filósofo Jacques Derrida, a linguagem é a responsável pela criação de duas identidades – a ‘’universal’’ e a fora dela–, o que cria um binarismo com grau de inferioridade entre elas. Sob essa óptica, quem está no comando define seu jeito como o padrão de fala, e inferioriza os outros formatos como algo diferente e distante do normal, e utiliza dessa padronização como forma de ascensão por já dominarem a forma “ideal” da língua. Dessa maneira, o estranhamento com outras maneiras de falar, que não aparecem tanto na mídia e são classificadas como erradas, gera o preconceito linguístico com milhões de cidadãos no Brasil.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, é necessário que medidas sejam tomadas para a solução desse problema. Para isso, o Ministério da Educação deve mostrar como as diferentes formas de usar a língua são corretas e precisam ser respeitadas, e não inferiorizadas, para então acabar com a ideia de certo e errado na língua portuguesa e com o preconceito gerado por esse pensamento. Essa medida deve ser realizada por meio da promoção de palestras em todas as escolas do Brasil, as quais debaterão com pais e alunos sobre os efeitos gerados pelo preconceito linguístico e como combatê-lo. Por fim, existirão menos camas de Procusto para os falantes da Língua Portuguesa.