Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
A miscigenação promovida pelo processo de formação da identidade nacional brasileira criou uma enorme variação linguística no país. Entretanto, essa diversidade nem sempre é vista como algo positivo, uma vez que o preconceito linguístico ainda é muito presente na sociedade. Logo, é irrefutável a necessidade de subverter essa situação, a qual possui como causas as falhas provenientes do sistema educacional e raízes históricas persistentes.
Em primeiro lugar, vale salientar que a colonização brasileira promoveu estigmas sociais que perduram até hoje. Afinal, o processo de ocupação instaurou inúmeras desigualdades sociais em virtude das teorias sociais eurocêntricas. Dentre elas, destaca-se o preconceito linguístico, o qual existe desde os primeiros contatos entre os europeus e os nativos da América recém descoberta. Essa aversão as línguas diferentes foi mais uma das justificativas para legitimar a apropriação e, mesmo na contemporaneidade, muitos desses julgamentos morais ainda são frequentes e possuem o mesmo intuito de hierarquizar característica sociais.
Outrossim, é válido ressaltar que as escolas brasileiras também contribuem para a permanência desse estigma. Conforme Rubem Alves, “Há escolas que são asas e há escolas que são gaiolas”. Nesse sentido, instituições educacionais que possuem um ensino amplamente focado na gramática normativa acabam funcionando como verdadeiras prisões, nas palavras do autor, e fomentam ainda mais o preconceito linguístico. Assim, muitos alunos não têm a oportunidade de expressar e conhecer novas linguagens e dialetos devido à sobrecarga de informações técnicas que recebem da escola.
Depreende-se, portanto, que medidas são indispensáveis para sobrepujar esse cenário. Para tal, as escolas brasileiras devem atuar mediante a conscientização social e criando espaços para discussões acerca do tema. Isso pode ser feito por meio de campanhas nas redes sociais e da realização de palestras em espaços públicos com a presença de especialistas no assunto, a fim de quebrar estigmas sociais e garantir o respeito as diferenças. Desse modo, será possível, paulatinamente, que a diversidade linguística brasileira seja aceita com mais empatia.