Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

A obra ‘’Central do Brasil’’ relata a história de Dora, ex-professora de gramática, moradora da capital carioca e escritora de cartas para aqueles que não sabem ler ou escrever. Durante todo enredo é possível observar as distintas linguagens empregadas pela população para se adaptar a uma realidade de baixa escolaridade e alto índice de analfabetismo. Após 22 anos do lançamento cinematográfico, na sociedade brasileira contemporânea, o preconceito linguístico atinge um dos mais nobres legados do homem: o sistema de comunicação.

Segundo a linguista Marta Scherre, a comunicação por meio do sistema linguístico é a característica básica para uma sociedade civil. Isso porque, para a pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, basta estar rodeado de pessoas que a língua emerge e, assim, instaura nos pensamentos e nas ações dos indivíduos. Sendo assim, como observa-se historicamente, seja de maneira escrita, falada, gesticulada ou desenhada, os seres humanos comunicam-se uns aos outros por meio de símbolos desde a pré-história.

Contudo, como apresentado pelo professor Marcos Bagno, atualmente, há um mito instaurado no corpo social brasileiro que a língua portuguesa é determinada pela gramática normativa, ou seja, aquela que é estudada durante o período escolar. Dessa forma, em um país de extensão continental e multicultural, exclui-se todo o povo que apresenta formas tradicionais, sociais e econômicas distintas. Em vista disso, desconsidera-se as múltiplas realidades do território nacional, seja o ‘’R’’ retroflexo do interior paulista, o chiado carioca, o pronome ‘’tu’’ paranaense, a falta de concordância verbal e nominal ou quaisquer outras diversidades.

Portanto, analisa-se que, ao depreciar as variantes formas de inter-relações, o preconceito linguístico caracteriza-se por marginalizar a vítima. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação em parceria com as instituições educacionais públicas e privadas promova um programa social por meio do acréscimo no currículo escolar de aulas desde o ensino fundamental sobre as variações linguísticas e culturais brasileiras, no qual envolva a participação de linguistas e aprofundamento sobre a dinamização da língua portuguesa, a fim de disseminar a valorização da diversidade nacional.