Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

De acordo com Oswald de Andrade, célebre autor do século XX, em seu poema “Pronominais”, o cidadão brasileiro comunica-se para ser entendido. No entanto, no Brasil hodierno, a persistência de seguir um padrão da língua como único correto em detrimento das demais variantes estabelece o preconceito linguístico em relação a essas, o que corrobora um agravante social. Ao se avaliar a tamanha adversidade vê-se a supervalorização da norma padrão nas escolas e a falta de políticas públicas quanto a esse cenário. Desse modo, o Estado deve atuar no sentido de evidenciar as causas e de propor soluções adequadas à atual conjuntura.

É indubitável pontuar, inicialmente, que a valorização da norma padrão nas escolas sem considerar a diversidade de outras variantes, acarreta consequências negativas. Nesse contexto, ao pressupor uma única possibilidade de realização da Língua Portuguesa como sendo a correta, a escola propaga o mito de que existe uma unidade linguística no Brasil, e menospreza a diversidade presente no país. Dessa maneira, pelo fato de considerável parcela da sociedade não ter uma formação educacional de qualidade, não possuem o domínio da norma de prestígio, e assim, sofrem preconceito ou, até mesmo, exclusão de grupos por não falar “corretamente”. Além disso, a escola e grande parte da malha social acredita que a língua equivale exatamente à gramática normativa, repudiando qualquer outra manifestação linguística diferente da considerada “padrão”, configurando a um processo de aprendizagem falha e desestimulante para muitos alunos.

Outrossim, é imprescindível ressaltar que, a inexistência de setores públicos defensores da língua, propicia  a intensificação do preconceito linguístico no corpo social. Sob esse prisma, conforme o escritor Marcos Bagno cita em sua obra “Preconceito Linguístico”, apesar do surgimento de instituições de combate a problemas sociais, como o racismo e sexismo, ainda não há, na nação tupiniquim, uma organização política que se ocupe dos direitos dos falantes de línguas minoritárias. Logo, por consequência, a luta contra o preconceito linguístico torna-se árdua e a atenuação do problema, na população brasileira, é dificultada.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática na sociedade brasileira. Para tal, o Poder Público, por intermédio do Ministério da Educação, deve promover a realização de palestras educativas nos espaços escolares, com a participação de linguísticas e historiadores que abordem a diversidade cultural e idiomática, presente no território nacional, além de seus processos históricos de formação, com o fito de desmitificar, na sociedade, da existência de uma única linguagem correta e pura. Assim, semelhante ao abordado no poema “Pronominais”.