Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
As variedades linguísticas fazem parte de qualquer idioma e, no vasto território brasileiro, nota-se bem esse fato, tal como a linguagem caipira, nordestina, urbana etc. Entretanto, as variedades mais coloquiais enfrentam um grande empecilho: o preconceito linguístico. Segundo o professor, linguista e filólogo Marcos Bagno, o preconceito linguístico é todo juízo de valor negativo às variedades linguísticas de menor prestígio social. Esse preconceito é, geralmente, associado a outros, tal como o socioeconômico e regional, caracterizando um importante problema social que deve ser enfrentado.
Em sua obra Preconceito Linguístico, Bagno trata a essência desse problema como um instrumento de dominação das elites, ou seja, serve como uma ferramenta de exclusão das classes que não tem acesso ao domínio da linguagem culta. Assim, por exemplo, um indivíduo que não domina a norma culta, será um fraco concorrente no mercado de trabalho e, consequentemente, permanecerá no mesmo patamar socioeconômico. Já aquele que nasce em meio a elite, tem, desde cedo, acesso aos padrões da norma culta e, por isso, tornar-se-á um forte concorrente aos mais altos cargos no mercado de trabalho. De modo semelhante, o preconceito linguístico encontra-se associado ao preconceito regional. Citando caso, não é difícil observar no dia a dia sujeitos fazendo piadas, repudiando ou até humilhando outras pessoas de certas regiões por conta da forma que pronunciam uma ou outra palavra – isso é uma enorme barreira para inclusão social. Logo, é fundamental mitigar essa problemática.
Vale salientar, que combater esse preconceito não significa querer acabar com a linguagem formal, mas sim fazer com que as pessoas se sintam respeitadas ao falarem do seu modo. Evidentemente, isso não quer dizer que as pessoas devam falar como quiserem na hora e/ou local que quiserem. Sendo assim, dois objetivos fundamentais devem ser alcançados: primeiro o respeito às variedades linguísticas e segundo a capacidade de adequação linguística dos cidadãos. A educação deve usada como um veículo para isso.
Conclui-se, portanto, que o preconceito linguístico é um problema social que deve ser enfrentado através da educação. Para isso, é importante que a adequação linguística e o respeito as variedades linguísticas sejam assuntos abordados nas escolas desde o ensino fundamental. Isso deve ser feito, incluindo esses conteúdos na matriz curricular, assim, desde cedo os futuros cidadãos seriam instruídos sobre esse tema. Dessa forma, espera-se que a o preconceito linguístico seja reprimido de forma eficaz.