Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Historicamente, se assim dizendo, diversos povos de outros países vieram para o Brasil trazendo junto a si culturas e línguas diferentes, contribuindo assim para a miscigenação que temos hoje, juntamente a uma grande diversidade de fala na mais diversas regiões brasileiras. Embora a língua seja dinâmica, ainda persistem situações discriminatórias frente aos outros falantes. Resta, então, saber como enfrentar tal problemática.

Como o Brasil é um país de grande extensão territorial, totalizam-se diversas culturas locais que influenciam na fala regional de seus estados. Ademais, fenômenos como o rotacismo, troca sonora de uma letra por outra, também são frequentes. Todavia, ainda que tais situações sejam comuns, muitos indivíduos são discriminados por suas singularidades ao se expressarem. Não raro, esses brasileiros sofrem “bullying” dentro das escolas, espaços onde a empatia e a elucidação deveriam se fazer presentes.

Além de que no país percorre um grande índice de analfabetos, segundo a matéria do site Agência Brasil, apesar da porcentagem ter diminuído temos em território brasileiro cerca de 11 milhões de pessoas sem saber ler e escrever. Sendo assim, é desonesto que ainda exista pessoas que exijam o português culto e rebuscado quando se tem a difícil realidade desigual de tantos cidadãos. A título de exemplo, temos um caso que ocorreu em 2016 e teve grande repercussão, em que um médico debochou de uma paciente na internet, “Não existe peleumonia e nem raôxis” disse o mesmo.

Torna-se evidente, que os parâmetros da conjuntura atual, precisam ser revertidos. O Ministério da Cultura, deve incentivar a valorização dos sotaques linguísticos, proporcionando peças em teatros públicos, abertas a toda população, ministradas por profissionais da área. Assim, o MEC instituirá, também, palestras nas escolas ministradas por policiais e psicólogos alertando e orientando sobre a valorização da cultura linguística, de modo que não se torne um dos fatores da exclusão social. De acordo com Immanuel Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”.