Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

Quando os portugueses desembarcaram no Brasil, trouxeram consigo uma enorme carga cultural que envolvia desde sua religião até sua língua nativa, com isso, eles impuseram seus costumes aos povos indígenas com a justificativa de que os índios eram povos selvagens e sem civilização. Hoje, após mais de 500 anos, boa parcela da população brasileira parece ter herdado a conduta portuguesa de tentar impor regras em cima da singularidade dos diferentes povos, isso pode ser nitidamente observado no preconceito linguístico que a população brasileira ainda dissemina. Essa problemática se dá sobretudo à falta de informação acerca da diversidade cultural e também à falta de políticas públicas que tornem essa educação viável.

Em primeiro plano, é valido ressaltar que a língua portuguesa é viva e enormemente rica, e não se pode simplesmente generaliza-la a uma infinidade de regras gramaticais, pois são todas as suas variações que tornam possível a comunicação nas mais diversas regiões do país. Com o intuito de demonstrar que variação linguística também é cultura, pode-se citar autores conceituados e reconhecidos como Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos, que em suas obras utilizam o regionalismo da forma mais pura possível. Com isso, é possível notar que o preconceito linguístico se dá de forma infundada e desrespeitosa que advém da ignorância e falta de informação sobre a diversidade cultural existente em nosso país.

Em segundo plano, a população em geral não pode ser culpabilizada sozinha, já que, cabe ao governo fornecer informação e conhecimento. Nesse sentido, a falta de educação sobre diversidade linguística influi de forma direta nos preconceitos propagados pelo povo brasileiro. Segundo Nelson Mandela “A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”, portanto é importante que essa arma seja amplamente usada pelo Estado com a intensão de combater fortemente as raízes amargas da ignorância e do preconceito linguístico.

Dessa forma, urge que o governo aja de forma eficaz contra essa problemática. Cabe a câmara dos deputados elaborar uma solução por meio de um projeto de lei que assegure a diversidade da língua portuguesa, sujeitando a multa aquele que possa ferir essa diversidade ao agir de forma discriminatória.

Além disso, cabe ao Ministério da educação elaborar um projeto que vise o ensino das diversidades culturais nas escolas, através de palestras abertas a comunidade. Para que assim essa realidade seja alterada e a língua portuguesa possa continuar viva e rica longe de preconceitos.