Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
Com base na história do Brasil, desde a colonização se instaurou, por parte dos portugueses, preconceitos com as diferentes linguagens e dialetos falados por tribos indígenas já presentes no território. Tal fato se estende até o século atual, no qual parcelas da sociedade acreditam ter superioridade em relação a outras por possuírem um padrão linguístico rebuscado. De modo que tal atitude, contribui para uma dificuldade na mobilidade social, aumentando outras formas de preconceito e consequente violência e exclusão.
A priori, sabe-se que a elite econômica presente nos grandes centros urbanos, possui uma linguagem de acordo com o padrão da norma culta gramatical. Eles demonstram poucos vícios de linguagem e sotaque característico da região Sudeste do Brasil. Tais classes sociais excluem grande parcela da população, que possui maior dificuldade para chegar até as escolas, já que onze milhões e meio de brasileiros acima dos quinze anos são considerados analfabetos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com isso, dificultando ainda mais que pessoas com menor escolaridade tenham incentivo para estudar e conseguirem melhores oportunidades.
Em segundo lugar, o preconceito linguístico é apenas uma demonstração de uma sociedade marcada por outras formas de preconceitos. Em vista disso, pode-se notar que o racismo, machismo e xenofobismo estão intimamente relacionados a essa questão, já que muitas vezes estão ligados ao menor acesso à educação pelas minorias. Tal fato ocorre com a população negra, que constitui a maior parcela das periferias brasileiras, por serem a marca de um país que baseou sua economia, por muitos anos, na escravidão.
Logo, é necessário que pessoas pertencentes à classe média e alta da população brasileira, deixem de lado sua soberba linguística para que ocorra uma maior movimentação entre classes e extermínio de outros tipos de preconceito. Para isso, o governo, por meio de projetos culturais, deve levar ao conhecimento do público, empresários de sucesso, oriundos de grupos excluídos da sociedade. Além disso, a mídia deve miscigenar de forma abrangente todas as culturas do Brasil, com novelas nas quais os atores possuam diferentes sotaques e formas de linguagem. Com isso, classes mais excluidas se sentirão pertencentes a sociedade o que dimunuirá os casos de repreensão linguística ou qualquer outra forma de preconceito.