Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
Escrito por Drummond, o poema “Os inocentes do Leblon” retrata o comportamento altivo de uma classe média que, de forma alienada, se omite frente às mazelas sociais. Tendo isso em vista, não muito distante da ideia do poema, a sociedade brasileira ignora as diferenças gritantes entre os diversos grupos formadores da comunidade brasileira e subjuga com uma visão unilateral a forma de se comunicar, não levando em conta a pluralidade presente no Brasil, expressando-se em ondas de preconceitos linguístico.
Em primeiro plano, no processo de colonização do Brasil, no início de 1500, os Portugueses vieram trazendo em suas imensas navegações não apenas mercadorias para trocas com os nativos, mas também o etnocentrismo europeu que marginalizou toda cultura e dialetos pré-existentes no novo mundo. Desse modo, com heranças da colonização que perpassam ao longos dos anos e se estendem até os dias de hoje, a sociedade brasileira não compreende a imensa e diversa variação linguística, a qual está presente entre todas classes, e trata com desdém quando uma fala foge ao padrão gramatical.
Ademais, Luis de Camões em seu livro “Os Lusíadas”, marco da literatura portuguesa do Século XV-XVI, escreve palavras como “Frecha”, “Pranta”, como manifestação de uso individual e independente da ortografia. Sendo assim, consoante ao pensamento da escritora Marilena Chaui, o tal uso notabiliza que a língua falada e escrita é algo vivo, que evolui e se modifica junto com a sociedade, se adequando à cultura vigente e se encaixando com as mudanças sofridas por uma comunidade em constante movimento. No entanto, a não observação das mudanças ocorridas na cultura e na língua conduz à ondas de preconceito relacionados à fala, violências e isolacionismo social que prejudicam a formação social dos indivíduos.
Dessa forma, é necessário que o haja uma efetiva ação do Estado, junto ao Ministério da Educação, promovendo - por meio de palestras com professores linguistas, especializados em variações da fala - o esclarecimento aos alunos da rede pública e privada de que existem variações linguística que fogem ao padrão gramatical, mas são equivalente na formação do discurso, a fim de diminuir os preconceitos linguísticos, conscientizando de que as diversidades são frutos da pluralidade do Brasil.