Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
No século XVI, com a chegada dos portugueses no Brasil, e com a colonização do Novo Mundo, iniciou-se um processo de miscigenação de culturas, etnias, costumes e religiões, fruto da convivência de diferentes povos. Nesse contexto, um dos aspectos resultantes desse evento histórico foi a variação linguística, presente fortemente até hoje em nossa sociedade. Porém, apesar das inúmeras formas existentes do uso da língua, ainda há indivíduos que agem com o preconceito linguístico, marginalizando pessoas que não são adeptas à norma culta, e ignorando o fato da baixa acessibilidade à educação pública de qualidade na realidade brasileira.
Em primeiro lugar, é indubitável que o uso da linguagem formal é valorizado por grande parte da população, mas infelizmente é utilizada como forma de segregação social. Segundo o autor Carlos Magno, a elite utiliza da língua como forma de oprimir aos que não fazem parte do seu núcleo de convivência, aumentando assim, a estratificação social. Diante disso, os cidadãos que não se adequam à norma padrão, concomitantemente, as classes mais baixas, tendem a não alcançar cargos mais altos e prestigiados no mercado de trabalhado, fortalecendo a desigualdade existente em nosso país.
Além disso, outro fator contribuinte para essa desarmonia, é a educação desqualificada disponível na rede pública. De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal, o preparo educacional é um direito de todos, sendo dever do Estado promover condições indispensáveis ao seu pleno exercício. Apesar do ensino ser constitucionalmente fundamental, não é o que ocorre na prática, diante do fato de que 6,8% da sociedade brasileira é analfabeta, segundo o IBGE, tendo um grande impacto em análise ao número habitacional da pátria. Dessa maneira, apenas parte dos estudantes terão a oportunidade de um ensino qualificado, ficando de fora do âmbito de prejudicados por uma baixa escolaridade.
Portanto, fica evidente que o preconceito linguístico favorece as desigualdades sociais e a necessidade implementar medidas para a solução do problema. Sendo assim, a mídia, deve criar campanhas, por meio de propagandas nas televisões e na internet, a fim de enfatizar a importância do respeito às variedades linguísticas, ensinando crianças, jovens e adultos, para que o julgamento ao próximo não perpetue. Ademais, cabe ao Governo, financiar investimentos na qualificação dos educadores, e otimizando as estruturas escolares, fazendo com que atenda às necessidades fundamentais dos alunos, diminuindo a desqualificação educacional na rede pública. Com essas medidas, a aceitação da rica miscigenação brasileira será cada vez mais uma realidade.