Preconceito Linguístico

Enviada em 17/09/2020

O preconceito linguístico se dá desde antigamente, principalmente dentro dos impérios que, embora tolerantes, linguisticamente, comandavam várias colônias que, muitas das vezes, não compartilhavam desse mesmo ideal. De maneira análoga a esse fato histórico, nota-se, também, no Brasil, certo grau de aversão ao dialeto diferente, necessitando-se, então, de uma análise acerca de dois pontos fundamentais a respeito dessa intolerância linguística: como ela foi construída e como ela não tem sentido na prática.

Em primeiro lugar, faz-se preciso a pontuação de características que corroboram esse preconceito linguístico no Brasil. Nesse sentido, percebe-se que, na época do Parnasianismo, escola literária do fim do século XX, a linguagem era cunhada de forma a buscar a perfeição linguística. Isso, ao longo do tempo, foi criando um preconceito com a linguagem oral, entre as elites que consumiam esse tipo de literatura e, posteriormente, entre os próprios populares. Ademais, soma-se a isso o fato de as pessoas não saberem distinguir a linguagem literária da popular, nem a linguagem oral da escrita.

No entanto, esses preconceitos não se legitimam no uso prático do idioma. Nessa perspectiva, verifica-se que, mesmo com a linguagem coloquial ou oral, tem-se como ter textos ou discursos plenos, semanticamente, haja vista a primeira fase do modernismo, por exemplo, que levava para a população escritos engajados, sociologicamente, com linguagem acessível, isto é, de fácil entendimento. Outro célebre exemplo é o grito de ‘’independência ou morte’’, de Dom Pedro I, que demonstra que, seja em português europeu ou brasileiro, a conotação simbólica é explicitamente concebível, independentemente do dialeto, ou seja, não existe terreno para a discriminação linguística na prática.

Depreende-se, portanto, que medidas que busquem atenuar esse panorama de preconceito linguístico no Brasil são de extrema importância para a disposição harmônica da população. Para tanto, o governo, por intermédio do Ministério da Educação, deve, mediante verba pública, promover a conscientização das pessoas, por meio de palestras e debates nas escolas, no que tange ao uso adequado da linguagem, principalmente a oral, pois elas precisam ter a noção de que a linguagem cotidiana ou a falada não é regida pelas mesmas normas que a linguagem escrita. Isso tudo com o intuito de que as pessoas se integrem umas às outras no que concerne ao interagir cotidiano, usufruindo, desse modo, ao máximo da comunicação mais avançada do reino animal, que é a do ser humano. Sendo assim, nós já temos o tamanho de um império, nos falta apenas a tolerância linguística dele.