Preconceito Linguístico

Enviada em 21/09/2020

Durante o modernismo brasileiro, escritos como Mario de Andrade, defendiam os diferentes falares regionais e populares. Contudo, essa visão não se difundiu pela sociedade, de forma a ser possível presenciar com frequência a intolerância com aqueles que se comunicam de maneira diferente. Tal descriminação se dá, em partes, pela falta de conhecimento com a formação histórica da língua e pelo disfarce do preconceito com as diferentes camadas sociais.

Mormente, a falta de conhecimento acerca da variabilidade linguística corrobora para preconceito. Durante os séculos XIX e XX, milhares de imigrantes alemães, italianos e asiáticos vieram ao Brasil em busca de empregos e difundiram-se pelos estados. Nesse sentido, esta onda migratória proporcionou uma grande diversidade na forma de se comunicar entre cada uma das regiões. Com isso, aqueles que ridicularizam a forma diferente na qual outra pessoa fala, desconhece a conjectura de variedades da língua nacional, haja visto que observa outra maneira de falar com errada.

Ademais, é importante pontuar que a intolerância linguística é uma forma de descriminação social. Segundo Marcos Bagno, no livro Preconceito Linguístico, a língua é uma forma de poder e todo preconceito linguístico é uma cisma social. Nesta perspectiva, quando aqueles que possuem uma melhor formação acerca da norma culta, corrigem a maneira diferente na qual alguém fala, estão implicitamente criticando sua formação escolar e cultural.

Depreende-se, portanto, que intolerância com a diversidade da fala dos brasileiros é um problema a ser combatido. Destarte, para reduzir o preconceito linguístico, o Ministério da Educação deve realizar palestras nas escolas acerca do tema para todos os estudes, por meio de caravanas de conscientização. Nessa ótica, deve ser apresentada a variedade linguística brasileira e o contexto histórico em que foi formada. Em síntese, tal medida possibilirá minimizar o preconceito linguístico.