Preconceito Linguístico
Enviada em 20/09/2020
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro, que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e o preconceito linguístico no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os avanços e os desafios que envolvem essa questão no país.
De antemão, vê-se que o Poder Público tem demostrado certa funcionalidade ao elaborar uma legislação que proíbe atitudes discriminatórias. Isso porque, sem essa medida, uma pessoa sem o conhecimento estrutural da língua, poderia ter interesse de se comunicar com cidadãos letrados. Contudo, o receio de ser vítima do preconceito linguístico tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Entretanto, evidencia-se que há uma certa resignação social perante a intolerância linguística. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população diante da ausência de investimento financeiro, visto que faltam verbas para financiar palestras de conscientização para desconstruir as visões limitadas acerca da linguagem internalizada, comprometendo, desse modo, o direito à identidade dos indivíduos. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, dessa forma, o senso crítico deles.
Constata-se, finalmente, que o preconceito linguístico deve ser solucionado. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, o fortalecimento da aplicação da lei existente, priorizando a indenização financeira, por parte dos infratores, para as vítimas de discriminação linguística, objetivando, com isso, inibir atitudes preconceituosas. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas promovidas por organizações não governamentais, a fim de não haver a banalização dessa problemática, o que pode ser potencializado, por intermédio do Ministério da Educação, por meio do financiamento de palestras públicas, ministradas por profissionais da área de letras, com o objetivo de conscientizar a sociedade acerca da importância de se respeitar a língua internalizada. Desse modo, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de resolução desse impasse.