Preconceito Linguístico

Enviada em 21/09/2020

Na obra literária “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, retirante nordestino, é acusado pelo seu patrão por não saber falar corretamente. Fora do contexto literário, muitos brasileiros são discriminados, frequentemente, devido não usarem a norma culta no cotidiano. Nessa perspectiva, é necessário que medidas estratégicas sejam aplicadas para combater esse problema, que emerge devido ao preconceito linguístico imposto pelas instituições de ensino e à falta de debate.

Sob esse viés, tem-se como empecilho à consolidação de uma solução o preconceito das escolas. Nesse sentido, isso relaciona-se com a violência simbólica citada pelo sociólogo Pierre Bourdieu. Assim, sabe-se que as instituições são responsáveis por apontar o erro na variante falada dos estudantes, mostrando que a forma de falar trazida do corpo familiar, não é aceita na sociedade, visto que, não consta na gramática normativa. Dessa maneira, é necessário que os educadores não invalidem a fala dos seus alunos, para que estes não se sintam coagidos.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a falta de debate. Nesse prisma, o filósofo Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Entretanto, apesar do Brasil possuir uma população oriunda da miscigenação, a sociedade pouco discute sobre a variante presente no léxico de cada região brasileira. Por conseguinte, isso ocasiona preconceitos através de um modo de falar mais próximo da normal culta, sobrepor-se de outro. Dessa forma, debater sobre os estereótipos linguístico, é o caminho para o combate da problemática.

Urge, portanto, a tomada de medidas estratégicas para combater o preconceito linguístico. Para esse fim, o Ministério da Educação e Cultura em parceria com as escolas devem, por meio do diálogo com os docentes, buscar novas maneiras de ensinar a gramática normativa aos alunos, a fim de que a língua falada por eles não seja desvalorizada. Ademais, os veículos midiáticos precisam ser usados como ferramentas para mostrar que não existe apenas uma maneira de se expressar verbalmente. Dessa forma, garantir-se-á a minimização dos julgamentos da língua vivenciado não somente por Fabiano, mas por um grande fragmento da sociedade.