Preconceito Linguístico
Enviada em 21/09/2020
A língua é um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, já que é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de segregação social. Do mesmo modo, o preconceito linguístico no Brasil, é muito evidente e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na língua, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais. Em grande medida, isso ocorre pela confusão criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa. Apesar de existir uma norma culta de como escrever corretamente as palavras, o uso oral são faladas de formas diversificadas. Por exemplo, as pessoas que moram em um capital, não falam do mesmo jeito que aqueles que moram no interior, assim essas pessoas tornam-se os principais alvos de discriminação. Isto é, as pessoas da capital acreditam que sua maneira de falar é superior a de pessoas que habitam no interior do estado. Nesse caso, muitas palavras pejorativas e depreciativas são utilizadas para determinar algumas dessas pessoas através de um estereotipo associado à variedade linguística, por exemplo, o nordestino, o baiano, o roceiro entre outros. Além disso, é evidente que o fato de existir uma variante padrão faz com que as demais sejam desprestigiadas. Dessa forma,o preconceito linguístico pouco discutido no Brasil acentua ainda mais a desigualdade social no país, pois a língua está totalmente ligada à estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Em virtude disso, tem-se exemplos de profissionais que debocham das pessoas como foi o caso do médico de São Paulo em 2016, que de forma absurda, postou em redes sociais a maneira como um paciente reproduziu as palavras pneumonia e raio X.Casos como esse, além de ser visto como desrespeito é, de fato,uma atitude desumana. Sem dúvida, na maioria das vezes, indivíduos que sofrem discriminação linguística são pessoas pobres que não tiveram as mesmas oportunidades que as outras. É dever do Estado, portanto, estabelecer o ensino da diversidade da língua nas escolas e conscientizar a populaçaõ em relação ao respeito, já que, assim como acreditava Sócrates, o erro, nesse caso o preconceito, é consequência da ignorância humana, ou seja, da falta de informação sobre a própria língua.