Preconceito Linguístico

Enviada em 23/09/2020

A obra ‘‘Preconceito linguístico’’ do professor brasileiro Marcos Bagno discute que não existe uma forma de falar certa ou errada, apenas usos adequados ou não a determinados contextos, logo, a pesar das regras vinculadas em uma língua esta varia de acordo com o contexto histórico, geográfico e social falado. Contudo no Brasil, os erros de vocabulário são vistos com repressão, fruto de uma construção social preconceituosa que causa constrangimento ao falante que comete algum desvio.

Em primeiro lugar cabe apontar o conceito de capital cultural do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Segundo ele, alguns saberes são super valorizados numa sociedade e acabam excluindo aquele que não os possui. Ou seja, conhecimentos, como o da norma culta da língua, são vistos com ‘‘bons olhos’’ pelas sociedade, já que historicamente dentro de escolas e centros de educação a gramatica se limita as regras e normas, deixando regionalismo e até mesmo gírias os quais fazem parte da cultura brasileira a margem, provocando, automaticamente, o preconceito, já que os mesmos são tidos como proibidos.

Ademais, em 2016, o médico brasileiro Guilherme Capel,  zombou de uma paciente, pela a pronuncia errada de uma doença. De acordo com o site ‘‘G1’’ Capel expôs em sua rede social satirizando e desrespeitando  o modo de falar do paciente, desse modo, demostrando preconceito linguístico e evidenciando um comportamento que vai de encontro com o capital cultural de Bourdieu, ao explicitar um pensamento enraizado na população brasileira, o irrespeito aos mais distintos modos de falar do povo.

Depreende-se, portanto que divido a problemática do preconceito linguístico no país medidas são necessárias para conter esse. Nesse âmbito, cabem as escolas, por meio de palestras, combater o conteudismo e demostrar, além da gramática normativa, os regionalismos e até mesmo as gírias mais usadas pelo povo brasileiro, com a finalidade de aproximar os estudantes a realidade da língua falada no dia-dia, mostrando que não há um certo absoluto, e sim formas de expressão de fala que se adequam a um contexto específico, como o professos Bagno aponta em seu livro. Somando a isso, o preconceito também será controlado, pois a população cada vez mais estará imersa nas expressões populares, permitindo que não mais sejam vistas como erradas. Assim a problemática será resolvida.