Preconceito Linguístico

Enviada em 22/09/2020

O Parnasianismo, escola literária do século XX, valorizou a norma culta na poesia. Analogamente, impera na sociedade a crança na superioridade de padrões comunicativos. Tal problemática se perpetua pela transmissão geracional de senso comum, bem como pela negligência estatal. Diante disso, o combate ao preconceito linguístico é um dos principais desafios na afirmação da diversidade.

É importante analisar, em princípio, a hierarquização de costumes presente na população. De acordo com o conceito de “habitus” de Pierre Bourdieu, as classes sociais são caracterizadas por costumes particulares, tais como a linguagem. Nesse sentido, os costumes dos grupos dominantes são valorizados em detrimento da parcela oprimida. Como consequência disso, surge o preconceito linguístico, o qual é derivado do privilégio concedido à população rica. Isso se expressa a partir do senso comum que considera determinadas formas de comunicação, por exemplo de pobres e nordestinos, como desviantes. Desse modo, essa mazela é reflexo da perduração, ao longo das gerações, de comportamentos excludentes.

Parelelamente a isso, institucionaliza-se o preconceito linguístico. No período colonial, a coroa lusitana proibiu o uso do Tupi na colônia. Além disso, séculos após a independência do Brasil, ainda existem resquícios dessa política, evidenciados, por exemplo, na rejeição ao estudo das variedades linguísticas em algumas escolas. Nesse cenário, é indubitável a busca pela homogeinização da linguagem derivada do rechaço aos dialetos não cultos. No entanto, essa mazela contraria os princípios da Constituição Federal de 1988, a qual defende que o Estado deve respeitar e zelar por todas as manifestações culturais. Dessa forma, a ausência de políticas efetivas do Estado perpetua essa problemática.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico é um obstáculo para a diversidade brasileira. Dito isso, urge que as ONGs, como responsáveis por suprir as ausências estatais, promovam a quebra do ideal preconceituoso de parte da sociedade, por intermédio de parcerias com escolas, nas quais são feitas rodas de conversa com especialistas, e também a exibição de curta-metragens que valorizem a cultura do país, para que essas sejam aceitas. Outrossim, a sociedade civil, uma vez conscientizada, deve exigir do poder público mudanças nas diretrizes educacionais. Com essas medidas, a valorização excessiva da norma culta será, finalmente, retrita ao Parnasianismo.