Preconceito Linguístico

Enviada em 22/10/2020

Na época do Império Romano, eram denominados bárbaros todos os povos que não soubessem falar o latim, como os germânicos e os celtas, de forma preconceituosa que desprezavam as outras línguas. Analogamente, no Brasil atual, o preconceito linguístico é dado pela imposição da variedade padrão da língua portuguesa, influenciado pela mídia, em detrimento da pluralidade das formas faladas no território nacional.

Inicialmente, é importante reconhecer a repressão causada pela imposição da norma culta da língua. Isso se deve a fatores educacionais e socioeconômicos, pois quanto mais o indivíduo possui poder econômico e uma melhor escolaridade, mais são valorizados socialmente. O conceito de capital cultural, elaborado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, explica como certos conhecimentos são mais valorizados que outros, em que as classes dominantes usam como forma de acentuar as diferenças entre as classes sociais. Consequentemente, é estimulada uma segregação entre pobres e ricos por haver um desprestígio da sabedoria advinda das classes sociais mais baixas da população.

Outrossim, é válido ressaltar o poder de manipulação da mídia. Essa afirmação é explanada pela concepção de indústria cultural, criada pelos sociólogos alemães Adorno e Horkheimer, em que os meios de comunicação (televisão, rádio, e redes sociais) buscam padronizar a cultura por meio da influência que exercem sob a população. Por conseguinte, aumentam o estereótipo do “falar errado”, combatido fortemente pelo professor Marcos Bagno (em seu livro “Preconceito lingístico: o que é e como se faz”).

Portanto, é mister que o Estado tome providências para mitigar o preconceito linguístico. Logo, urge ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a mídia, o dever de combater a segregação social causada pelo prejulgamento na forma de usar as diferentes formas da língua. Essa ação poderá ser feita mediante aulas e entrevistas com profissionais formados no curso de letras, em que discutam-se a importância do respeito as variedades linguísticas e por que não existe apenas uma forma certa de falar. Dessa maneira, a exclusão de falantes não adaptados à norma padrão da língua não será mais uma realidade no Brasil.