Preconceito Linguístico

Enviada em 22/10/2020

Zigmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, em sua teoria sobre a vida líquida, desmudou a sociedade moderna e fez críticas aos comportamentos egoístas e superficiais da humanidade. Percebe-se esses aspectos no que tange à questão do preconceito linguístico. Nesse sentido, torna-se evidente como causas o desrespeito quanto as variações presentes em diferentes regiões que compartilham de uma mesma cultura e a estereotipação que produz o preconceito linguístico estendida pela deficiência educacional.

Em primeira análise, o desrespeito ou assédio linguístico é presente na sociedade, visto que a existência de uma língua caracterizada como padrão motiva o irrespeito ás outras formas de falar. Em decorrência disso, a parte da sociedade que foge a esse padrão considerado aceitável sofre desprezos e exclusão. Um exemplo de tal fenômeno são as variantes faladas no Nordeste que divergem das faladas no Sul do Brasil: elas contribuem para a riqueza de um idioma. No entanto, há resistência da parte da população em aceitá-las, refletida na criação de um estereótipo de nordestino analfabeto ou inferior, cuja a fala é considerada errada e, por isso, é marginalizado. Dessa maneira esse tipo de preconceito acaba alimentando uma intolerância às variações linguísticas o que beira a xenofobia.

Em segunda análise, o preconceito linguístico se dá pela carência presente no sistema de ensino, já que há uma segregação do indivíduo falante de uma variação linguística que possui dificuldade de acesso às escolas. Nesse contexto, vale ressaltar, como exemplo, a personagem Adelaide, do programa humorístico Zorra Total, que é tratada comicamente como uma mulher de aparência grotesca e que fala tudo de forma errada com relação à norma padrão. Essa representação depreciativa contribui para a asseveração da estereotipação de que indivíduos na mesma condição que Adelaide são inferiores e devem se envergonhar da forma como falam apenas por ser uma maneira pouco convencional dentro do padrão aceito.

Em suma, é mister que o preconceito linguístico seja superado. Nesse prisma, a Escola, como difusora do conhecimento científico, deve incentivar debates direcionados acerca das variantes linguísticas nas aulas de línguas, por meio de modificações dos conteúdos escolares, para que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na mente dos alunos e, com isso, haja um respeito mutuo, quanto a fala, na sociedade. Ademais, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve, através da votação de uma Lei no Congresso Nacional, proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem figuras estereotipadas, com o objetivo de extinguir o preconceito linguístico propagado em rede nacional.