Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2020

No livro Micrifísica do Poder, o filósofo Michel Foulcoult relata os diferentes mecanismos de opressão e de dominação. Tendo em vista as ideias do pensador, nota-se que a língua é um grande exemplo de dominação dentre a sociedade e que através dela muitos cidadãos são oprimidos pelo seu jeito de articular. Em virtude disso, percebe-se que o preconceito linguístico, tem como causa a grande desigualdade social, pouca oportunidade de uma boa educação, além da padronização da língua portuguesa como correta. Por isso, deve-se destacar que o desprezo do modo de falar de determinadas pessoas é um grande problema que precisa ser solucionado.

A principio destaca-se que as diferenças socioeconômicas e as poucas o portunidades de uma educação de qualidade, faz com que o preconceito lingüístico aumente. Pois sem ter acesso a um bom ensino, muitas pessoas não carregam consigo durante a rotina os devidos conhecimentos sobre a gramática da língua portuguesa. Devido a esse fato, diversos conhecedores da norma culta criticam aqueles indivíduos que expressam de uma forma diferente do padrão imposto. De acordo com Marcos Bagno, o preconceito lingüístico deriva da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como erro e reprovável tudo que diferencie desse modelo. Por meio dessa ideia, percebe-se o quanto aqueles cidadãos de classe social alta por ter acesso à uma educação superior as demais, acaba humilhando os demais pelo fato de não saberem pronunciar corretamente, assim como ocorreu no ano 2016, em que o médico Guilherme Capel Páscoa zombou de seu paciente por pronunciar nomes de doenças de forma incorreta.

Em segundo lugar, deve-se ressaltar que a padronização da língua portuguesa é uma das principais causas para a existência do julgamento das demais línguas como inferiores. Sabe-se que durante o processo de colonização brasileira uma das maneiras de garantir a hegemonia lusitana era garantir que apenas a língua portuguesa fosse falada. Com isso, os demais idiomas como indígena e africano que apesar de representar a maioria tinham que submeter-se ao linguajar português, isso mostra um extremo preconceito lingüístico que permanece até os dias atuais.

Em virtude dos argumentos debatidos, medidas devem ser tomadas para combater o problema. Portanto, vê-se a necessidade de o Ministério da Educação através da matéria de Sociologia e de História repassar para os alunos a importância de cada língua existente desde a antiguidade e o quanto é importante respeitá-las. Além disso, deve ensinar aos alunos a como reagir frente a um cidadão de fala informal de acordo com a língua portuguesa. Assim os adolescentes tende a crescerem conscientes sobre o língua de cada grupo social diminuindo-se a ocorrência de preconceitos linguístico.