Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2020
A plena garantia da preservação da língua como patrimônio cultural é, indubitavelmente, elemento promotor de uma sociedade que valoriza a sua nacionalidade. No Brasil, entretanto, as desvalorizações de dialetos locais e da identidade nacional caracterizam-se como efeitos do preconceito linguístico, cenário recorrente no país. Dessa forma, é necessário combater as consequências das visões preconceituosas em relação às variantes da língua.
A princípio, cabe salientar que a discriminação entre os falantes de um mesmo idioma parte de um aspecto regional. Embora a Constituição Federal assegure que a língua deve ser preservada, a realidade brasileira aponta para um racismo linguístico que inferioriza as formas diferentes e invalida o seu dialeto. Em vista disso, esse acontecimento é recorrente da colonização portuguesa que em busca de uma hegemonia lusitana reprimiu o falar indígena e africano no Brasil colônia. Hodiernamente, da mesma forma ocorre com os dialetos regionais que possuem variantes e, por conseguinte, os falantes são discriminados por falarem um português caracterizado como fora do padrão, pois não segue uma norma imposta por uma minoria. Logo, é necessário mostrar a importância de todas as variações de modo a preservá-la e valorizá-la.
Ademais, a língua é uma manifestação cultural que fundamenta a identidade de um povo, mas a rejeição dela desvaloriza e nega a nacionalidade. Segundo Darcy Ribeiro a identidade brasileira tem raízes europeia, africana e indígena. À luz dessa ideia, vê-se que no país por ter três raízes distintas, logicamente não terá uma língua uniforme, porém o cenário atual aponta para uma intolerância em relação as essas variações. Entretanto, se no romantismo brasileiro os índios que tinham o seu próprio dialeto eram considerados como heróis nacionais, na contemporaneidade, essa valorização com um forte nacionalismo está sendo contrariada em razão do preconceito. Por consequência, a língua como patrimônio cultural e representação é desvalorizada e perdida. Diante disso, convém mostrar a importância da linguística para a construção de um perfil nacional.
Destarte, diante dessa problemática, torna-se indispensável acabar com o preconceito linguístico no Brasil. Cabe ao governo, portanto, representado pelo o Ministério de Educação, por meio de palestras nas escolas – visto que pode ser um projeto estendido até a comunidade - falar sobre esse problema de uma maneira mais intensa com exemplos do cotidiano e mostrando a língua como expressão cultural que constrói uma identidade – a fim de conscientizar as pessoas e elas não terem esse comportamento intolerante - para então diminuir a discriminação das variações da língua no país. Desse modo, os efeitos do preconceito linguístico serão reduzidos.