Preconceito Linguístico
Enviada em 05/10/2020
Machado de Assis e Anitta. Camões e Gabriel O Pensador. Guimarães Rosa e Luan Santana. Essas são diferentes formas de linguagem que mostram exatamente o que a língua portuguesa representa: pluralidade. Contudo, mesmo com o conhecimento dessa variação, uma série de preconceitos está presente no cotidiano dos brasileiros. E, não é atual o fato de que os dominadores querem estipular para as minorias o que é certo ou errado, tendo como base a sua realidade e interpretação.
“Não troco meu ‘oxente’ pelo ‘ok’ de ninguém”. A partir dessas palavras, Ariano Suassuna demonstra a insatisfação de ter que abrir mão de sua língua. O que já ocorreu quando o Brasil foi colonizado por um povo com um idioma e cultura divergente da dos nativos e que foram, por consequências, impostas pelos colonizadores. Além disso, o território brasileiro tem proporções continentais, facilitando, portanto, a variedade de sotaques e gírias próprias de cada região. Por esse motivo, como exposto por Luiz Gonzaga em sua música “ABC do Sertão”, as crianças nordestinas têm que aprender na escola um alfabeto diferente do de seu cotidiano, dificultando seu aprendizado. Assim, percebe-se que, mesmo depois de 199 anos da Independência do Brasil, a determinação de um comportamento sobre outro é encontrada, mesmo que dentro de uma mesma nação.
Ademais, muitas vezes, o preconceito é realizado sem que ninguém perceba. Isso fica evidente quando no desenho “Turma da Mônica”, de Maurício de Souza, o personagem Cebolinha sofre vários tipos de implicâncias realizadas pelos colegas por trocar a letra “r” por “l”. Porém, John Locke compara as crianças com folhas de papel em branco, ou seja, suas personalidades e opiniões serão construídas a partir do que forem expostas no dia a dia. Então, se assistirem a esse tipo de conteúdo na televisão e perceberam que os adultos estão a achar graça, irão reproduzir o mesmo hábito quando encontrarem uma outra criança com língua presa, porque é em casa que ocorre a socialização primária. Desse modo, os anos vão passar, mas as práticas discriminatórias vão continuar a ocorrer.
Destarte, com o propósito de aplacar o preconceito linguístico, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover projetos para que, além de ser ensinada gramática normativa, ensine-se também que há diferenças em cada região do país e quais são elas. Isso pode ser feito por meio de filmes, teatros e músicas que demonstrem a abundante variedade linguística do Brasil. E, a partir de rodas de conversa, procurar entender o que cada criança tem a dizer sobre o preconceito linguístico e sanar suas dúvidas. Dessa forma, pessoas como Ariano Suassuna e Luiz Gonzaga não precisarão se preocupar mais em ter que abrir mão de seus costumes linguísticos