Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2020

A população brasileira resultou da miscigenação de povos indígenas, africanos, europeus e asiáticos, originando, então, um país de alta diversidade cultural, inclusive na linguagem, visto que possui variações por todo o território. No entanto, apesar do orgulho de sua pluralidade, a nação sustenta determinado preconceito linguístico, ao comparar a maneira “correta” entre dialetos e a sua forma escrita. Nesse sentido, cabe analisar as raízes dessa conjuntura, assim como suas consequências aos indivíduos e a sociedade.

Em primeiro plano, é necessário entender o que é o preconceito linguístico e por que ele acontece. Esse ato ocorre em virtude da tentativa de equiparar a gramática normativa e a linguagem oral, e essas, por sua vez, são diferenciadas por fatores históricos, econômicos, geográficos e culturais. Sendo assim, indo ao encontro da teoria do pai da psicanálise, Sigmund Freud, as experiências iniciais têm forte influência na vida adulta, evidenciando-se, por exemplo, na transmissão da oralidade e suas particularidades. Dessa maneira, indivíduos com maior acesso ao estudo e coloquialidade, bem como instituições baseadas em formalidade, negligenciam a fala em sua totalidade, parte fundamental formadora da identidade cidadã e nacional.

Por conseguinte, devem ser pontuados os impactos dessa prática para com a sociedade e seus integrantes. Vale ressaltar que todo e qualquer ato de preconceito cria um contexto de desrespeito, humilhação e desconforto. De acordo com o filósofo Schopenhauer, os limites de visão do ser humano influem em seu entendimento sobre o mundo, e, sob esse viés, ao focalizar em padrões normativos, origina-se imensa omissão cultural. Nessa perspectiva, não obstante a opressão de diferentes dialetos, o indivíduo atingido perde autonomia e confiança, suprimindo sua liberdade e maneiras de expressão, o que possivelmente será refletido em seu futuro.

Destarte, o preconceito linguístico torna-se uma problemática a ser resolvida pelas autoridades competentes. Portanto, é dever do Governo Federal – entidade responsável pelas leis -, utilizar da parceria entre os Ministérios da Educação e Cidadania como ferramenta para a promoção de mudanças. Essas transformações devem ocorrer por meio de projetos educacionais e sociais que visem a inclusão e valorização da linguagem por toda a extensão do país, de modo a conscientizar e informar a população acerca de sua diversidade e importância linguística. Com essas ações, será possível construir um povo que, além da miscigenação de raça e formação, também se orgulhe e respeite a linguística.